INFORMAÇÃO É FORMAÇÃO

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

CRISE DOS REFUGIADOS UM ALERTA PARA A SEGURANÇA NAS FRONTEIRAS ANGOLANAS?

Por: Bento José dos Santos*

As notícias que têm sido difundidas pelos meios de comunicação social sobre a ascensão dos movimentos migratórios, revelam um fenómeno preocupante para os diversos estados a nível mundial, devido ao êxodo de centenas de milhares de pessoas que em muitas ocasiões fogem dos seus países, em consequência dos graves conflitos e da miséria que se instala. Países como o Iraque, Turquia, Síria, Palestina, Etiópia, Somália, Congo Democrático, Sudão, entre outros, tem sido o ponto de partida de milhares de pessoas que se arriscam em perigosas jornadas, por mar ou por terra, em busca de segurança para salvaguardar a própria vida, ou ainda por causa das perseguições raciais/religiosas, ou pela ocorrência de desastres naturais, ambientais, ou pela inexistência de condições que os permitem ascender socialmente.

Tais situações, tem motivado muitos cidadãos a refugiarem-se para outros países que muitas vezes, também não estão preparados para acolher quem necessita. Relativamente a presente situação, em alguns momentos, muitos países acharam-se descortinados da possibilidade de virem a sofrer as consequências da emigração descoordenada, isto porque pressupunha-se que a ocorrência dos fenómenos migratórios se constatava em locais, cuja distância era continental, o que, de certo modo passava a falsa ideia que as consequências destes fenómenos não teriam ocorrência em continentes cuja localização se constatava equidistantes dos países de origem dos emigrantes. 

O site da tv Globo “oglobo.globo.com” publicou uma noticia no dia 29 de Janeiro de 2016, que dava conta, que cerca de “1,5 Mil milhões de refugiados chegaram à Uniao Europeia (UE) no ano de 2015, e deste número mais de um milhão foi parar na Alemanha, onde a atmosfera acolhedora mudou dramaticamente. A crise dos refugiados dominou as manchetes nos últimos meses, e as estimativas sugerem que chegam à UE até quatro mil pessoas por dia. Isto poderá resultar em pelo menos outro milhão de imigrantes em 2018” faz referência a referida materia. 

Atenta a situação, a Chanceler alemã, Angela Merkel e o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, prometeram intensificar a cooperação com os países de origem dos emigrantes, por formas a minimizar a crise migratória que actualmente representa um dos principais problemas políticos e humanitários da União Europeia. 

Assim sendo, os diversos países espalhados pelo mundo, tem vindo a discutir outras políticas, principalmente as políticas internas sobre os refugiados que chegam nos seus territórios. Entre as diversas tentativas para a resolução do problema, muitos países europeus concordaram em aderir políticas públicas para o recebimento do número de cotas de refugiados com objectivo de supervisionar o seu fluxo. A Grécia como principal porto de chegada dos refugiados, actualmente enfrenta outros tipos de problemas sociais, principalmente no que corresponde a disponibilidade para assistência da saúde pública. A Hungria relutante, recusou se responsabilizar em receber os refugiados, tentando evitar a chegada destes no seu território, e para tal, construiu um muro de arame farpado na sua fronteira com a Sérvia. É importante salientar que no início das políticas protecionistas para os refugiados, a Hungria, havia se juntado em apoiar o Grécia e a Itália, mas actualmente preferiu demarcar-se a criar a sua própria protecção. 

O Reino Unido enfrenta um outro impasse, considerado que sua população, no futuro, será um número ainda maior, este também se comporta de maneira contrária em aceitar os pedidos de asilo aos refugiados, uma vez que além de se preocupar com sua população que no futuro será maior e exigirá mais saúde, mais investimento, também terá que se preocupar com o grupo de refugiados. Talvez estas previsões possam ser inseridas e vislumbrar a sua posição relativamente a sua pretensão de sair da EU.

Pelo que tudo indica, as consequências actuais enfrentadas pelos países, vem muito do social em relação a outras esferas, já que pode ser considerado “simples” acolher esses refugiados, mas realoca-los na sociedade europeia, pode representar um problema com efeito dominó. Isto porque alguns países europeus enfrentam, além da superlotação de refugiados, questões sociais vindas da sua população, o que origina que certos segmentos da população dos países da Europa não se sentem confortáveis em abrir as suas portas para os refugiados. 

A situação agrava-se porque muitas pessoas se tornaram intolerantes, com medo de perder seus os seus empregos, as suas casas, e em consequência disso reagem com acções violentas contra os refugiados. 

Assim sendo, a actual realidade europeia no que concerne a crise migratória ganha maior espaço para discussão em função da intensa promoção da visibilidade que se tem recebido dos meios de comunicação social internacionais devido a envolvência de algumas potencias mundiais. 

A Crise dos Refugiados No Contexto Africano Toda problemática relacionada com a crise dos refugiados, parece só ter a dimensão e as consequências que têm na actualidade; mas não é propriamente o caso. A crise migratória sempre esteve presente, principalmente em países onde a instabilidade politica e social é acentuada, e neste particular, o continente africano tem conhecido está dura realidade a décadas. 

Os noticiários cada vez mais recorrentes sobre as perigosas travessias migratórias de africanos para o continente europeu expõe um pseudo fato: a situação dos conflitos na África piorou e o número de refugiados é cada vez maior. 

No entanto, o principal destino destes refugiados não é a Europa, como pode parecer, mas continua a ser o próprio continente africano, que abriga mais de um terço destes refugiados. Segundo o relatório Tendências Globais (Global Trends, em inglês), divulgado pela ACNUR, a deslocação dos refugiados, atingiu um nível recorde nos últimos cinco anos. No final do ano 2014, foram 59,5 milhões de pessoas que tiveram que deixar forçadamente as suas casas, comparado com os 51,2 milhões registrados no final de 2013 e os 37,5 milhões verificados há uma década. 

O crescimento desde 2013 (8,3 milhões de pessoas) é o maior já registrado num único ano. A nível mundial, de acordo a ACNUR, também houve mudança na distribuição regional de refugiados no último ano. Até 2013, as regiões que abrigavam a maior população de refugiados eram a Ásia e o Pacífico. Como resultado da crise na Síria, o Oriente Médio e o Norte da África se tornaram, em 2014, as regiões que mais recebem refugiados. Em determinados contextos, certos Estados receiam que a ascensão migratória provoque uma desestabilização na comunidade erguida sob pilares identitários próprios e enformadores do conceito de segurança. O receio vê-se agravado nas regiões onde se conglomeram, por largos períodos de tempo milhares de pessoas. Gera-se, assim, um medo do outro que, apesar de tudo, é também um elemento do grupo, não mais diferente que os outros. 

Uma Visão de Segurança Nas Fronteiras Perante ao Dilema dos Fluxos Migratórios O mundo do século XXI tem assistido a um grande crescimento do número de refugiados. Se bem que este seja um fenómeno com presença marcada em todas as épocas, a verdade é que nunca antes atingiu uma tal magnitude. 

O contínuo aumento do fluxo migratório que se tem registado pode ser percebido como uma ameaça à segurança dos países acolhedores, no sentido em que pode colocar em causa a capacidade social, económica, política e administrativa das instituições locais. 

De acordo com o clássico do direito de soberania, os Estados detêm a jurisdição no interior das suas fronteiras, e têm autoridade para definir quem entra ou não no seu domínio. Não obstante, as migrações passaram a afetar essa soberania, na medida em que um acentuado aumento do fenómeno pode ser sinónimo de perda de controlo político e do poder do próprio Estado. Na perspectiva da dimensão ética e política do ser humano, implica a subsistência de uma superioridade ética do Estado na actuação dos actores da segurança, nomeadamente da Polícia. 

Assim sendo, os actos migratórios descoordenados podem ser caracterizados como potencial ameaça, e considerados como factores de vulnerabilidade, o que exige o controlo da sua mobilidade, desde logo, exteriorizado de maneira a restringi-la e a dificultá-la desde a sua origem. Com efeito, as ameaças não se fixam somente nas fronteiras dos países onde se identifica a estabilidade política e social, mas também na pré-fronteira, o que obriga a um processo de vigilância e controlo extraterritorial, através de um policiamento à distância, por formas a controlar os movimentos que facilitariam a entrada de pessoas indesejadas, para além do inevitável controlo interno. 

Neste contexto, o Sistema de Informações pode e deve aqui ser considerado como a primeira ferramenta da actuação policial, no que concerne a análise dos riscos, devendo ser este um este sistema de vigilância preventiva que terá como objectivo central a manutenção da ordem e da segurança e somente abarcará a informação genérica sobre pessoas que não estão autorizadas a entrar ou permanecer no território nacional de um determinado estado. 

Para uma melhor abrangência e alcance da eficácia do referido sistema de informação e segurança integrada das fronteiras, a cooperação entre os países da região fronteiriça, no que toca à administração das suas fronteiras externas comuns, deve coordenar diversos tipos de intervenções, dos quais são exemplo as operações conjuntas nas fronteiras marítimas e terrestres. Mas é necessário ter em atenção que a Polícia não é apenas defensora e garante da legalidade democrática, assim como da segurança interna nacional e dos direitos de todos os cidadãos. A polícia é também promotora desses interesses, valores e bens jurídicos (…) marcando-se no respeito e na defesa da dignidade da pessoa humana. 

Deste modo a Polícia não deve cair na tentação de se tornar uma espécie do último ratio da democracia, assumindo-se como uma guarda pretoriana da sociedade, que se revê como detentora de um poder ilimitado ou arbitrário, pois essa posição é perigosa para todos, incluindo para a própria Polícia, uma vez que a sua legitimidade social está na proporcionalidade das suas acções, isto sincronizado com quem exerce o poder. 

Nesse sentido, é importante assegurar a distinção daqueles que buscam a entrada no território angolano, desde que esta distinção seja feita na base de um controlo fundamentado no registo eficaz de todas as pessoas, sendo crucial uma distinção entre os que podem vir a obter o estatuto de refugiados, os que são migrantes económicos e os que, infiltrados nesse grande fluxo, tentam entrar no território angolano para fins inconfessos. 

Em todo contexto aqui analisado, cabe à Polícia de Guarda Fronteira de Angola como órgão de especialidade, a importante missão de garantir a segurança das fronteiras angolanas, assim como preservar os demais direitos de todo e qualquer cidadão, tendo em plena observância os seus limites de acção que devem ser objecto da constante redefinição e ajustamento face às novas exigências da liberdade e da segurança dos cidadãos. 

* Bento José dos Santos (Comunicólogo, Pesquisador Social em: Comunicação Política, Opinião Pública e Mobilização Social).

quinta-feira, 28 de junho de 2018

quarta-feira, 13 de junho de 2018

ACTOS DE SOLIDARIEDADE OU CAUSAS QUE NOS HUMILHAM


Por: Bento José dos Santos
Quando a expressão "Muito Obrigado" é confundida com a imposição de "Receba Isto Porque És Um Necessitado" a vergonha de quem aparece nas vestes de promotor da solidariedade passa a ser também um reflexo da hipocrisia que hoje parece a todos suplantar. E como tal, importa citar Mahatma Gandhi:
- "Sempre foi um mistério para mim como os homens podem sentir-se honrados pela humilhação de seus semelhantes".

É de pouca sorte, e talvez seja de índole menos honrosa inúmeras situações que assistimos e que acabam por nos pôr em cheque, quanto ao nosso valor humano, perante a ausência do respeito e da validade que devemos dar aos nossos semelhantes.
Em muitas ocasiões, as imagens e os textos que expõe as condições de precariedade ,e muitas vezes de extrema pobreza que vivem inúmeras pessoas espalhadas pelo mundo, antes deviam servir para reflectirmos sobre o facto de sermos supostamente os seres vivos mais dotados para fazer uso dos níveis de inteligência cognitiva. Lamentavelmente a nossa inteligência parece que também nos categoriza como os seres vivos que cometemos as maiores atrocidades contra os nossos próprios semelhantes.

As imagens de crianças famintas, anémicas, desprovidas de cuidados básicos de higiene; a imagem de pessoas idosas com olhar distante, abandonadas cada uma a sua sorte na imensidão das ruas; a imagem de milhares de pessoas designadas como emigrantes que lotam os navios sem rumo e vão dar a Europa suplicando a clemência dos governos para que não voltem aos seus países; a imagem da desolação criada pela fome, (...) Tudo isto nos faz pensar, até que ponto somos ou podemos ser realmente solidários.
Se em determinados momentos vimos alguns meios de Comunicação Social a difundirem noticias sobre o estado precário que vivem inúmeras pessoas no mundo, não é menos verdade que muitos "tidos como promotores da Cidadania não fazem uma única acção sem antes terem consigo a presença da imprensa. Podem até faltar os "necessitados" mas a imprensa é indispensável!

Com tais condicionantes, se constata a promoção da própria humilhação a que são submetidas as pessoas que carecem de ajuda, quando tem de dispor a sua imagem pela justificativa condicionante de estarem a ser ajudados pela "solidariedade".

Diariamente, vimos as câmaras e os microfones da imprensa a propagarem a imagem do então suposto "salvador" o grande "benemérito" que jocosamente contrasta com a pobreza e a relevância do seu acto.

O discurso da promoção de quem ajuda, ou seja o acto de supostamente só quererem que mais pessoas sigam o seu exemplo, tem sido o disfarce das realidades inconfessas para usarem o sofrimento dos outros como forma de trampolins para o alcance dos objectivos inconfessos.
Será troca dupla?
Ou seja: Com uma mão dá-se e com a outra recebe?!

Será que a onipresença da vontade de sermos sempre mais importantes que os outros, sermos os seres aparentemente superiores, nos dá o direito de expormos e submetermos o nosso poder de poder ajudar mas sem antes salvaguardarmos a prévia condição de que "- vocês que recebem a ajuda aceitarem antes de mais serem humilhados?"...
Não seria uma medida providência sabermos que, quando ajudamos com vontade própria, quando fazemos o bem com o coração limpo, não esperamos reciprocidade e tão-pouco esperamos o reconhecimento pelos holofotes dos meios de Comunicação Social?!

Porém, andamos assim a oficializar a humilhação, exibindo o sofrimento daqueles que necessitam, quando o correcto seria previamente as instituições de públicas de direito cumprirem com os seus "deveres" e as suas "obrigações" institucionais, deixarem as justificativas dos ditos esforços, que muitas vezes acaba por servir de base para andarmos a mendigar para receber àquilo que nos é ou seria dado por direito.
Confundir actos de benemerência ou de solidariedade com estratégias de Relações Públicas é uma contradição ética para quem assim procede, pois lamentavelmente com tais acções as causas que muitas vezes dizem defender, acabam por humilhar os supostos beneficiários. E aqui nos importa mais uma vez subsidiarmo-nos em citar Gandhi...

- "O que mais me impressiona nos fracos, é que eles precisam de humilhar os outros para se sentirem fortes".

É a triste realidade. Infelizmente!

domingo, 29 de abril de 2018

OLHAR POR DENTRO (1)

Por: Bento dos Santos
São várias as vezes que tentamos entender o que se passa a nosso redor. Geralmente quando assim o fizemos, o nosso olhar é direccionado para os outros.

Hoje proponho reflectirmos sobre a nossa condição de cidadãos comprometidos com a justiça social e porque não, cidadãos comprometidos com a mudança social que muitos ansiamos e na verdade pouco realizamos para que tal venha a ocorrer.

Como estamos?

Dar uma resposta directa a está pergunta, quando a mesma não se incide sobre a nossa saúde, por vezes torna-se um exercício de elevada complexidade. Como estamos... pensamos!

Com a falta de quase tudo, é possível respondermos que estamos bem?

Será?

A incidência da falta de condições sociais, quase já "soa à música"; a falta de energia eléctrica, a falta de água, o deficiente saneamento básico, o crime que ascende a cada dia em consequência dos vários factores psicossociais, nos leva a reflectirmos, e a resposta a pergunta - Como estamos? Sugere uma negação. Não! Não estamos bem!

O olhar por dentro que nos apraz analisar não é um conto de vigários. É antes de mais uma realidade latente. E podemos referenciar, desde o que comemos. Parece que só agora descobrimos que comemos lixo. Parece que, o que comemos é tudo falso. Comemos tipo frango, mas é de plástico; comemos tipo ovo mas é de plástico, até a couve; comemos tipo couve mas é de plástico... enfim!

Foi preciso um milagre chinês dar bandeira para descobrimos que afinal todas nossas doenças derivam daquilo que comemos.

Daqui a pouco, até nós, as pessoas, seremos tipo pessoas, mas seremos também de plástico!

Depois o olhar nos leva a vermos aqueles servidores públicos que dificultam o atendimento ao cidadão para fazer com que, quem necessita, ande a busca de outras soluções para contornar os obstáculos; e entenda-se estas outras soluções são geralmente a prática da corrupção. Aqueles servidores públicos que sabem que não merecem estar onde estão, e muitas vezes protegidos pelo compadrio vão simulando serem capazes; mas só fazem mesmo sob forma de reacção pois proactivos não são! Mas por ai andam; os tantos.

O olhar por dentro também nos mostra o próprio cidadão que muitas vezes faz-se de inocente, e ignorando os procedimentos e os requisitos que deve observar, tenta ludibriar os servidores públicos pondo-se na condição de vítima de todo um sistema aparentemente burocrático, mas que na realidade é ele que "tenta safar-se" como se diz na giria; e manda para as águas o interesse de todos. Aqueles cidadãos tidos como bué vivos, quando querem ocupar um determinado terreno, fazem-no ilegalmente, ocupando o espaço público sem cumprir com nenhum procedimento legal e depois lamenta: - " tenho filhos, o governo não me dá casa; vou viver aonde?!"...

E sob falso pretexto, depois surgem os defensores dos interesses. São os designados grupos de pressão, que a reboque das anormalidades sociais, integram as suas acções sob justificativa da promoção do combate das desigualdades sociais; e assim embalados vão pressionando o governo nas diversas áreas sociais.

É preciso ficar claro que o nosso olhar por dentro sabe que o governo não é uma instituição formada por "Santos Milagreiros". E ao olhar por dentro, nos lembramos que o governo manipula; e como manipula...

Os entendidos justificam que tal manipulação muitas vezes deve-se a necessidade de ter de manter a estabilidade social e preservar o bem maior fundamentado nos interesses nacionais. Até ai tudo bem!

Mas o olhar por dentro que nos faz teimosia, nos obriga a reflectirmos, e muitas vezes notamos que este bem maior, e nestas necessidades de preservação dos tais interesses, nós povo acabamos por ficar mais arregalados para o segundo plano. É só vermos como andam a inventar uma baita de medidas de impostos desesperados, que no nosso bolso onde nada mais resta, nada poderá sair...

Ainda estamos a olhar, se para quando sairá a autorização das viaturas de ocasião. Mas o nosso olhar nos diz que, este por ser assunto que pode mininizar os problemas do povo, os donos do olhar dizem: "- Isto é secundário. Depois trataremos isso"!

E o nosso olhar que de tanto ver apreende, sabe quanto tempo significa aquele depois... (...)

O olhar por dentro também leva-nos a analisar aqueles mais-velhos "da-muito-tempo" que como raposas ontem, hoje fazem-se de cágados, e com os seus passos lentos vão impedindo a progressão da juventude. E neste aspecto o olhar nos leva a uma contradição. A juventude não é a força motriz de um país?!

Se ela é esquecida ou posta para o segundo plano, a força motriz desde país provêm de onde?

Atenção! Não nos falem mal, só estamos a olhar! E, é por causa deste olhar que nos atrevemos fazer outras perguntas que andam por trás da porta. Pois não é segredo para ninguém, que apesar da vontade política manifestada pelo Presidente da República, João Lourenço, para que se promova e haja mais liberdade de expressão e de informação, a verdade verdadeira é que a maioria continua a falar por trás da porta; e assim o cinismo e a intriga que agora nos revela a nossa falsa pacificação, continuam a ter mais espaço. A minha mãe Dona Mena diria: "- São fofoqueiros e intriguistas os que assim procedem..."

Sobre o cinismo, temos o seguinte exemplo que sai por trás da porta: - " Milhares de jovens alegam que não têm tido a oportunidade que deviam ter. Dizem que não são nomeados para os cargos, e dizem mais... - " Alegam que quando os mais-velhos escolhem um jovem entre os milhares que andam na fila, fazem-no sem cumprirem com os melhores critérios de selecção".

Os jovens por trás da porta, dizem tantas coisas, que muitas vezes ao olharmos por dentro, não vimos nada que estes "super jovens" fazem, se não o velho hábito de se escudarem nas alegações que estão na moda, por exemplo: "- Eu sou mestre disto, estudei em Londres; eu estou a me doutorar em Portugal; eu isto, eu àquilo, bué de lata!

E quando olhamos, vamos lá em Londres, vamos lá em Portugal andamos também pelo outro lá, ver o que eles andaram a fazer de milagreiro por aquelas bandas; quando olhamos bem... nada!

 E como dizem as minhas cambas... é só mesmo xacho.  mandam bué de boca "Santos" mas não fazem nada!

O olhar por dentro também leva-nos a elas, desde as mais cobiçadas que se esquecem que o tempo leva a vaidade da beleza física, pois as pernas hoje torneadas e a pele relutante com o brilhar do sol infelizmente não irá perdurar para sempre; e entre os amores instantâneos  e os prazeres sexuais a que muitas se propõe, esquecem que há uma linha que não deve ser quebrada que é baseada no respeito da própria dignidade que cada uma devia ter.

Infelizmente o olhar nos revela que para muitas isto não é importante é secundário. A prioridade agora é o momento de se safar dizem elas. E muitas alegam que os "onze minutos de prazer" não faz delas mercadorias. Dizem que a troca frequente de parceiros ou o amante que segredam, não constitui problema, até porque quando acontece o faz-faz usam o capacete de plástico. E minimizam dizendo: - "Apenas foi uma breve interação de dois corpos feitos de carne, nada ficou, ninguém tirou pedaço no outro" (...)

O olhar por dentro também leva-nos a olhar para o copo! Não o copo vazio; sim olhamos para o copo da droga lícita, até agora designada álcool; que na paixão da relevância de muitos quererem mostrar que são "valentes e capazes" se acovardam promovendo a estupidez de querer agradar a todos, e ao tentar ser o "super do momento" geralmente acabam por agir como palhaços que todos vêem mas que ninguém acha graça, pois os sorrisos demonstrados  das palhaçadas surgem do cinismo que os invade naquele instante.

O olhar por dentro que fazemos referência também nos faz pensar que o petróleo que tanto nos orgulhava, afinal não é assim tão importante como gostaríamos que fosse. Afinal o petróleo é mesmo um produto esgotável e como o vinho que acaba no copo, o petróleo também acaba. Apesar do nosso ainda não 《acabar》a verdade é que ainda agora que nos deu algumas alegrias já nos fez acabar com a banga de lhe vender ao preço de lagosta, e nos tirou a vaidade de todos andarmos por ai como se fossemos pequenos magnatas.

O olhar por dentro também nos leva na educação. E nos mostra que estamos todos mal-educados; somos todos arrogantes pois não sabemos ouvir. Quem nos crítica, rapidamente lhe atestamos o rótulo de nosso inimigo. Não interessa quem seja; se é marido, se é a mulher, se é o irmão, se é o primo, se é o amigo; se nos criticou é porque não gosta de nós. Tem inveja e quer o nosso mal!

O olhar por dentro também nos faz ver que este é um problema oriundo da nossa educação. E os pais e os professores são os grandes responsáveis por esta situação, pois ao invés de despertarem as nossas mentes com as sábias orientações e nos ensinarem a sermos auto-críticos, não o fazem; apenas nos tem ensinado a ser reféns do silêncio.

O nosso olhar por dentro que é teimoso e persistente, também nos revela que agora, o que esta na moda são as autarquias. As autarquias não são roupas; nem comida. São sim eleições que irão decorrer em espaços mais limitados da nossa configuração geopolítica. Talvez serão eleições municipais e distritais, ainda não se definiu ao certo. O nosso olhar nos desperta para que as autarquias sejam realizadas gradualmente. Entenda-se vão escolher alguns municípios e distritos que já têm condições para poderem realizar as eleições autárquicas, e os que ainda não reúnem as condições para o efeito ficaram para uma segunda etapa.

O nosso olhar nos faz ver que é sensato assim procederem. Afinal ainda não temos condições para tanto, entenda-se nem todos municípios e distritos têm condições para serem autarquias; e a ponderação recomenda que as mudanças bruscas provocam sempre resultados inesperados. Mas o nosso olhar nos avisa... as autarquias estão na moda!

O olhar por dentro também nos leva a política. Ou melhor aos actores políticos. Como andam as coisas lá por dentro?

Com está pergunta, o olhar ficou perdido! Já não vimos nada!

In: memorial do meu primo, "Fantasma Neto dos Santos". O único angolano que teve no seu nome uma verdade sobre a ressurreição: Fastasma!

Até depois!

domingo, 22 de abril de 2018

Conflito Sírio Um Exemplo do Fracasso Mundial

Por: Bento dos Santos.

Quando em Fevereiro de 1945, nos Estados Unidos da América se criou a  Organização das Nações Unidas (ONU) perspectivou-se promover e concretizar os objectivos de materializar a paz nos distintos países espalhados pelo mundo.

A criação da ONU derivou assim de uma segunda tentativa de se criar a união das nações com o propósito de estabelecer relações amistosas entre os países, após o fracasso de uma primeira tentativa, então realizada com a formação da Liga das Nações, ao fim da Primeira Guerra Mundial.

Assim, as conferências de paz realizadas no final da Segunda Guerra Mundial possibilitaram que numa primeira fase cinquenta países, excluindo os que haviam feito parte do eixo, assinassem o tão importante documento.

No conteúdo da magna carta, destacam-se os compromissos  mundiais como: Nós, os povos das Nações Unidas, decididos: a preservar as gerações vindouras do flâgelo da guerra que por duas vezes, no espaço de uma vida humana, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade; a reafirmar a nossa fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como das nações, grandes e pequenas”, tendo como primeiro objectivo manter a paz e a segurança internacionais e para esse fim: tomar medidas colectivas eficazes para prevenir e afastar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão, ou outra qualquer ruptura da paz e chegar, por meios pacíficos, e em conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a um ajustamento ou solução das controvérsias ou situações internacionais que possam levar a uma perturbação da paz.

Infelizmente, após cerca de setenta e três anos (2018-1945) a propagação dos conflitos pelo mundo, dão-nos uma realidade diferente, onde se assistem cenários aterrorizantes perante a incapacidade de muitos governos mundiais não conseguirem honrar com a preservação do bem maior que é a vida, e continuamente assistimos e vivenciamos guerras por quase todos continentes. E pela Síria sabe-se que:

- A Rússia, aliada do presidente sírio Bashar al-Assad, opta pela acção diplomática e ao mesmo tempo envia regularmente armas à Síria.

- Os Estados Unidos, à frente da coalizão árabe-ocidental, realizam bombardeios contra o denominado Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria, afirmando que tem tido êxito no combate aos grupos terroristas que operam na Síria.

- A França e Grã-Bretanha que até então mantinham posições neutras, pois negavam intervir na Síria para não favorecerem indirectamente o regime do presidente Bashar al-Assad, após várias cogitações da possibilidade de bombardearem a Síria viriam a efectivar tal pretensão, sob pretexto do estado Sírio ter feito o uso de armas químicas sobre o seu próprio povo.

-   Num outro contexto, após o acordo sobre o seu programa nuclear, o Irã pode desempenhar um papel chave na solução do conflito sírio como interlocutor internacional dado o grau de influência que este país tem na região.

Mas como a Síria chegou ao estado que se encontra na actualidade?

A história recente do início do conflito Sírio começa com a propagação das ondas de protestos oriundas da primavera Árabe. Em março de 2011, a população síria saiu às ruas das cidades do país, pedindo o fim do regime político comandado por Bashar Al-Assad. A não aceitação das reivindicações e a repressão efectuada pelas forças militares de Al-Assad aumentaram as tensões políticas, levando a oposição a empreender uma luta armada contra o governo.

Bashar Al-Assad chegou ao poder no ano 2000, após a morte do seu pai, Hafez al-Assad, que havia iniciado seu comando no país durante a década de 1970. Os dois representam os alauítas na Síria, uma minoria que professa o islamismo e compõe cerca de 10% da população. A organização política que sustenta o poder dos Al-Assad é o partido Baath, a renascença, que tem como parte de sua doutrina o nacionalismo árabe e o anti-imperialismo. Essa postura levou o país a se opor às políticas dos EUA no Oriente Médio, como também às acções do Estado de Israel, país que havia tomado do estado sírio as colinas de Golã, em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias.

Assim sendo, Bashar Al-Assad pretendeu que o seu governo inicia-se a implementação das medidas de abertura política, como a libertação de presos políticos; mas tais medidas se mostraram muito limitadas. Com a manutenção de limitações à participação política da população, os eventos da Primavera Árabe insuflaram ainda mais as acções da oposição ao regime. Assim a luta iniciou sob pretextos dos direitos da autodeterminação do povo sírio. Porém, os desdobramentos dos conflitos militares entre as forças da oposição e as forças militares do governo de Al-Assad passaram a envolver uma série de países, com interesses na Síria e no Oriente Médio.

Os países ocidentais, principalmente os EUA, França e Reino Unido, declararam apoio às forças de oposição, denominadas pela imprensa de forças rebeldes. O governo dos EUA inclusive chegou a reconhecer, em dezembro de 2012, a CNSOFR como representante legítima da Síria, pretendendo deslegitimar o governo de Al-Assad, e criou ainda o Grupo de Apoio Sírio (Syrian Support Group, SSG, em inglês), uma entidade destinada a angariar recursos financeiros e apoio não letal para apoiar o Exército Livre Sírio (ELS), a principal organização da CNSOFR. O ELS foi formado principalmente por desertores das Forças Armadas Sírias, que passaram para a oposição ao regime.

Existe também uma coalização forças ligadas a grupos islâmicos, cujos guerreiros, os mujahidin, estariam combater pelo jihad, a guerra santa muçulmana. Entenda-se que os grupos islâmicos estão organizados na Frente Síria de Libertação Islâmica, próximos à Irmandade Muçulmana; a Frente Islâmica Síria, que defende a instalação de um Estado teocrático no país. Todavia, além dos EUA, apoiam os opositores sírios de Al-Assad a Turquia, Reino Unido, França, Arábia Saudita, Qatar e Israel. O apoio desses países acontece de várias formas, principalmente através do envio de armas e na facilidade de transporte delas através das fronteiras.

Porém, tal como ocorreu  com os demais países que tiveram manifestações da Primavera Árabe na Síria também se identifica a interferência de outros países, o que vem a tornar ainda mais complexo o processo que visa por fim ao conflito. E para nos lembrarmos, temos em mente que foi o apoio das forças ocidentais que levaram à queda do então presidente líbio Gadaffi.

Entretanto, apesar do isolamento do governo sírio, fortalecido após o apoio dado ao grupo islâmico libanês Hezbollah, em 2008, Al-Assad tem sido defendido pela Rússia, China, além do Irã, Líbano e Iraque.

Contudo, a busca para comprovar o uso de armas químicas, com gás sarín, por parte do exército de Al-Assad, não é propriamente um assunto novo por parte dos governos ocidentais. Em 21 de agosto de 2013, o governo do presidente americano Barack Obama tentou justificar um ataque aéreo à Síria tendo como fundamentação os mesmos argumentos que hoje se repetem, sem no entanto haver a comprovação de tais factos.

Tirando as suposições, até o momento não existem provas concretas que permitem acusar o governante sírio de crime contra a humanidade, mas esta parece ser a única forma de obter o aval da maioria dos países da ONU para o ataque à Síria.

Segundo o alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, "os confrontos armados na Siria forçaram cerca de 5,6 milhões de pessoas a deixar o país em busca de segurança. Outras 500 mil tiveram de abandonar suas casas e vivem como deslocadas forçadas dentro do território sírio".
As condições de vida dos civis dentro da Síria são piores do que nunca, com 69% da população vivendo na pobreza extrema. O número de famílias que gastam mais da metade da sua renda anual com comida aumentou para 90%. Os preços dos alimentos são, em média, oito vezes mais altos do que os níveis anteriores à crise.
A maioria dos refugiados sírios em países vizinhos vive abaixo da linha da pobreza. Mais de três quartos dos refugiados nas áreas urbanas da Jordânia e do Líbano são incapazes de suprir suas necessidades básicas de alimentação, moradia, saúde e educação.

A proporção de crianças refugiadas na escola aumentou nos últimos anos. No entanto, 43% do 1,7 milhão de refugiados sírios em idade escolar não frequentam um centro de ensino. Os sistemas nacionais de educação pública nos países de acolhimento estão tendo de criar segundos turnos para acomodar estudantes sírios e precisam de mais apoio.

No meio de tanto choque para a emancipação do poder, o que não se diz sobre o conflito Sírio, é que a Síria parece ter tido o azar de ser escolhido como o campo do espetáculo para se travar a então ascensão da Rússia, no que diz respeito a recuperação da sua posição de potência hegemônica no contexto das super potenciais mundiais.

O desejo do presidente Vladimir Putin levar a solução do conflito Sírio pelas vias diplomáticas não tem tido sucesso, pois o real interesse dos países ocidentais não parece estar alineado a paz. É precisamente sob este manto escuro, que se intensifica a cada dia, que se anula a possibilidade da resolução do conflito Sírio.

Actualmente, passados cerca de sete (2018-2011) anos desde o início e vigência  do conflito na Síria, podemos concluir que o conflito Sírio revela mais uma vez fragilidade da Organização das Nações Unidas no que diz respeito aos temas ligados a resolução de conflitos, considerando que para a resolução de conflitos os Estados podem adoptar
três formas básicas: persuasão, dissuasão e coerção. O que se constatou no caso Sírio foi a implementação da coerção no seu último estágio, com a realização da guerra no campo das operações, e dela hoje o povo Sírio vive as suas implicações e consequências. Razão para se reflectir se já não é tempo de se rever as estratégias para resolução de conflitos que são formuladas na ONU (...).

Até lá, a infeliz realidade reside no permanente fracasso que se mantém, dada a continuidade do conflito!

sexta-feira, 16 de março de 2018

Iº DEGRAUS DA VIDA 

Quando o futuro parece estar nas trapaças que cada um pode fazer (...)
FICÇÃO

Por: Bento dos Santos (in: Pensar Social, Exercer Cidadania (II BREVEMENTE)

- Muita lata isto sim. O mau hábito que muitos mais-velhos tem de andarem por ai a dizer que os jovens são os culpados disto e daquilo e mais àquilo, ah, porque no tempo deles era diferente e tal e qué, só revela a inveja que eles tem dos putos.

Agora que os mádies minguaram é a nossa vez de dar o show. Á porque os jovens tem de se formar primeiro, ah, porque o nosso país precisa de muitos engenheiros, á porque temos que ser todos doutores (…) vão lá se lixar!

Vocês já viram como está o vizinho Gonzo?! (…)

Anh! Está tonto. Mais uns dias vai ficar bazeza de tanta frustração. Amarrou-amarrou-amarrou, agora nem salu tem. Está frustrado, para beber uma birra tem de ser pendura! E nem cubico tem!

Mais um dia e a capuca vai ser o B.I dele para o reino do Benfica!

Qual escola qual quê… Bilionários com massa de verdade como Steve Jobs, Sheldon Adelson, Larry Ellison, Li Ka-shing, Paul Allen, o cota Yc Wang entre outros. Mesmo o cota Bill Gates co-fundador da Microsoft, só amarrou um coxito na FAU de Harvard e viu que os book não estavam a dar nada, abandonou aqueles dois mambos, tipos eram cursos de Matemática e Direito ou quê; Mas mesmo sem bukar muito ele ganhou fama de vijú quando apostou no bisno de software. Naquele time em que hardware valia bué, não era como agora em todas quinas bué computer avuvulai tipo moscas.

Anh! Tá pensa quê… nois daqui do gueto também amarramos e sabemos destes mambos, a porque Yes e Not aqui também somos bilingué! Tá brincar ou qué.

Em 2008, a lista da Forbes uma revista que fala dos boss de verdade, já apontava o cota Bill Gates como o terceiro homem mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em cerca de Cinquenta e Oito Bilhões de Dólares Norte Americanos. E atenção… Ele não amarrou nada! Tá pensar que é como estes papóites daqui que tremem, e o kumbú deles só serve para enfeitar o saldo do cartão multicaixa!

Aqueles não! Tás a ver! São cotas de verdade que não tremem no Kumbú. Kitadi é kitadi!

São cotas que não amarraram mas que tem massa de verdade. Não são como esses nossos que o Kumbú deles, só dá para contribuir no óbito. O Kumbú que aqueles cotas tem no banco, você para ler os números tens de fazer um curso para ler os milhares de zeros que tem. Assim tipo o cota Bill Gates que tem na conta dele, Um Trilhão, Bilião, Milhão de Trilhões de Biliões de Quatrilhões de Dólares. Você tenta ainda escrever este número! Vais ficar tonto. Vais meter bué de zeros que até vais acabar às páginas do teu caderno e mesmo assim não vais conseguir (…); tás pensar que é brincadeira! E sabes porquê?! Porque ainda vai faltar espaço para escreveres os milhares de cêntimos dos centavos dos décimos (…) Anh! Riste né!

Mó irmão vó ti dar uma dica! Para ganhar na vida o mambo é mesmo bisno!

A malta vai ali, por exemplo no cubico do kota Padre, ele como está paiar aquele camião dele a quinze paus, a malta aumenta o preço para trinta paus. O camião dele como ainda está fixe, banzelamos o mádie como está distraído, a malta arranja um bazeza como cliente, páia o mambo e já está!

É Kumbú na hora!

Outro bisno… A malta vai naquele terreno que estes mádies do governo provincial meteram a placa porque “Reserva Fundiária” a malta fundi a placa, ocupamos aquele mambo, chamamos bué de mádies para ficarem connosco lhes demos também cada um coxito de terra e eles fazem lá uns bate-chapa, tá ver né aqueles cúbicos de chapa, tipo as barracas da mãe grande, tá ver né… ou mesmo lhes paiamos a preços de banana, quando os mádies das autoridades tentarem vir nos tirar (…) qual quê (…) eles também vão querer fazer parte do bisno, se vacilarem nós temos de dar uma de sermos mais de mil pessoas, depois vamos na rádio, vamos nos jornais, nos filmam na televisão e já está!

Se continuarem a tentar nos tirar, é só nós acionar os mádies dos meios de comunicação social, eles como gostam destas cenas, vão dizer que o governo está a desalojar a população e isto é contra os direitos humanos e outras dicas mais, depois vem a comunidade internacional com a tal dica dos países do bisno da ingerência politica e já está!

É bisno grande mó irmão! Tô a ti falá!

Depois é só paiar o terreno. É bobeira!

Outro bisno!

É só conseguirmos o canal dos mádies dos serviços de emigração e passamos a paiar vistos nos chinocas. É muito cumbu. Assim a malta faz a nossa vida.

Vocês nu andam a ver que os mádies que amarraram bué, depois ficam todos fuscos!

Até às damas que eles cangam são às que nós já dispensamos. E sabes porquê?! Porque o Kumbú é que fala! E nós do bisno é que temos a massa. Todo madié que amarrou bué e tem Kumbú é porque tem um-ponta-de-lança, um madié assim bué vivo como nós.

Agora bué de dica só bem malaike porque tem de estudar, tem de estudar. Estes cotas são caretas. O importante é só saber ler e contar. Principalmente contar os mambos de mais; e o resto é conversa ya.

“Memórias do extracto de uma das inúmeras palestras realizadas diariamente em círculos informais das distintas artérias da cidade de Luanda, pela Associação Nacional dos Bisneiros de Angola”.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A FAMA DA INCOMPETÊNCIA NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

Quem dizer que nunca ouviu ou viu "a fama da incompetência" talvez esteja a faltar com a verdade. Isto porque, nos últimos tempos a fama da incompetência tem estado ligada a nós regularmente. Lembra-se da famosa frase do então senador americano Hiram Johnson, que diz:

-"A primeira vítima, quando começa a guerra, é a verdade". Pois bem, a referência a referida frase deve-se ao facto de que, nos últimos tempos quase todas sociedades parecem estar ligadas a um novo tipo de sociedade(passa a redundância) "no caso a sociedade virtual" descrita no livro Pensar Social, Exercer Cidadania.

Mas alguns talvez dirão:

- Mas nós não estamos em guerra!

Pois bem; infelizmente quem assim pensar está enganado. Sim estarão enganados, os que assim pensarem. E como redigia, infelizmente estamos em guerra sim!

Estamos na guerra da informação; dai o recurso a famosa frase do então senador americano Hiram Johnson.

Estamos em guerra sim! E quase pelo mesmos motivos que originaram as grandes guerras, no caso a ambição pelo poder.

Se a primeira guerra mundial teve como pretexto de fundo a insatisfação da partilha das então colônias, por parte de alguns países na época considerados como grandes potências mundiais, hoje devido a ligação ao mundo virtual, as grandes potências, assim como os países emergentes, incluindo os países em via de desenvolvimento, todos arrolados no mundo das tecnologias de informação e comunicação e pela ambição do poder confrontam-se numa grande guerra para o controlo da informação mundial.

Lembra-se? Informação é poder.  Assim sendo, é com base nesta mesma busca, para o domínio da informação, isto é, para serem detentores do poder, para poderem influenciar as sociedades, é com base nesta ânsia do poder da informação que nos deparamos com uma guerra sob a capa da instauração da democracia, promovida pela arma revolucionária designada "internet" e as suas inovações constantes designadas "redes sociais" que nos submetemos a fama da incompetência.

Mas se a fama da incompetência se parece tão famosa, porquê que muitos apesar de já terem convivido com ela, como podem afirmar não a conhecerem? O que é a fama da incompetência?

A fama da incompetência é nada mais, nada menos, do que as falsas informações produzidas e partilhadas na internet. Dai o paralelismo a célebre frase "A primeira vítima, quando começa a guerra, é a verdade"; pois porque em tempos da guerra da informação, onde "todos parecem falar ao mesmo tempo, produzindo ruido" somos muitos os utilizadores da internet, que é subsequentemente a plataforma das redes sociais, onde muitos entre nós utilizadores destas tecnologias, nos esquecemos de auto nos questionar, sobre como são construídas as informações que recebemos e quase que roboticamente as partilhamos sem avaliar-mos a veracidade das mesmas, ou não, e consequentemente, nos esquecemos de reflectir sobre a dimensão e as consequências que tais informações podem ter quando partilhadas por cada um de nós.

É neste frenetismo quase como inconsciente que nos encaramos, sobre pretexto da partilha de informação, que nos tornamos gratuitamente soldados promotores da fama da incompetência!

Partilhamos vídeos, partilhamos informações resultantes de boatos e falsidades, evocamos de forma desmedida o nome do senhor, desenvolvemos irracionalmente o ódio, construímos falsos amores virtuais, sem percebermos que estamos no meio de uma guerra "a guerra das sociedades da informação, onde o nosso inimigo somos nós mesmos, isto em cada instante que agimos como máquinas sem refletirmos que informação devemos consumir nas redes sociais, sem fazermos o mínimo de esforço, em pensar porquê que devo partilhar esta ou aquela informação?

E sem percebermos somos assim os promotores da fama da incompetência, porque muitas vezes acabamos por promover a mentira ideológica que nada mais é, do que a busca para conquistar o consentimento público por parte de quem emite tais informações.

É nesta realidade da fama da incompetência, por não se reflectir sobre que tipo de informações consumimos durante o processo da formação da nossa opinião, que acaba por ser uma promotora da incompetência!

*Bento José dos Santos.
Comunicólogo, Assessor Político e Social; Pesquisador e Escritor.*