INFORMAÇÃO É FORMAÇÃO

domingo, 22 de abril de 2018

Conflito Sírio Um Exemplo do Fracasso Mundial

Por: Bento dos Santos.

Quando em Fevereiro de 1945, nos Estados Unidos da América se criou a  Organização das Nações Unidas (ONU) perspectivou-se promover e concretizar os objectivos de materializar a paz nos distintos países espalhados pelo mundo.

A criação da ONU derivou assim de uma segunda tentativa de se criar a união das nações com o propósito de estabelecer relações amistosas entre os países, após o fracasso de uma primeira tentativa, então realizada com a formação da Liga das Nações, ao fim da Primeira Guerra Mundial.

Assim, as conferências de paz realizadas no final da Segunda Guerra Mundial possibilitaram que numa primeira fase cinquenta países, excluindo os que haviam feito parte do eixo, assinassem o tão importante documento.

No conteúdo da magna carta, destacam-se os compromissos  mundiais como: Nós, os povos das Nações Unidas, decididos: a preservar as gerações vindouras do flâgelo da guerra que por duas vezes, no espaço de uma vida humana, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade; a reafirmar a nossa fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como das nações, grandes e pequenas”, tendo como primeiro objectivo manter a paz e a segurança internacionais e para esse fim: tomar medidas colectivas eficazes para prevenir e afastar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão, ou outra qualquer ruptura da paz e chegar, por meios pacíficos, e em conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a um ajustamento ou solução das controvérsias ou situações internacionais que possam levar a uma perturbação da paz.

Infelizmente, após cerca de setenta e três anos (2018-1945) a propagação dos conflitos pelo mundo, dão-nos uma realidade diferente, onde se assistem cenários aterrorizantes perante a incapacidade de muitos governos mundiais não conseguirem honrar com a preservação do bem maior que é a vida, e continuamente assistimos e vivenciamos guerras por quase todos continentes. E pela Síria sabe-se que:

- A Rússia, aliada do presidente sírio Bashar al-Assad, opta pela acção diplomática e ao mesmo tempo envia regularmente armas à Síria.

- Os Estados Unidos, à frente da coalizão árabe-ocidental, realizam bombardeios contra o denominado Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria, afirmando que tem tido êxito no combate aos grupos terroristas que operam na Síria.

- A França e Grã-Bretanha que até então mantinham posições neutras, pois negavam intervir na Síria para não favorecerem indirectamente o regime do presidente Bashar al-Assad, após várias cogitações da possibilidade de bombardearem a Síria viriam a efectivar tal pretensão, sob pretexto do estado Sírio ter feito o uso de armas químicas sobre o seu próprio povo.

-   Num outro contexto, após o acordo sobre o seu programa nuclear, o Irã pode desempenhar um papel chave na solução do conflito sírio como interlocutor internacional dado o grau de influência que este país tem na região.

Mas como a Síria chegou ao estado que se encontra na actualidade?

A história recente do início do conflito Sírio começa com a propagação das ondas de protestos oriundas da primavera Árabe. Em março de 2011, a população síria saiu às ruas das cidades do país, pedindo o fim do regime político comandado por Bashar Al-Assad. A não aceitação das reivindicações e a repressão efectuada pelas forças militares de Al-Assad aumentaram as tensões políticas, levando a oposição a empreender uma luta armada contra o governo.

Bashar Al-Assad chegou ao poder no ano 2000, após a morte do seu pai, Hafez al-Assad, que havia iniciado seu comando no país durante a década de 1970. Os dois representam os alauítas na Síria, uma minoria que professa o islamismo e compõe cerca de 10% da população. A organização política que sustenta o poder dos Al-Assad é o partido Baath, a renascença, que tem como parte de sua doutrina o nacionalismo árabe e o anti-imperialismo. Essa postura levou o país a se opor às políticas dos EUA no Oriente Médio, como também às acções do Estado de Israel, país que havia tomado do estado sírio as colinas de Golã, em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias.

Assim sendo, Bashar Al-Assad pretendeu que o seu governo inicia-se a implementação das medidas de abertura política, como a libertação de presos políticos; mas tais medidas se mostraram muito limitadas. Com a manutenção de limitações à participação política da população, os eventos da Primavera Árabe insuflaram ainda mais as acções da oposição ao regime. Assim a luta iniciou sob pretextos dos direitos da autodeterminação do povo sírio. Porém, os desdobramentos dos conflitos militares entre as forças da oposição e as forças militares do governo de Al-Assad passaram a envolver uma série de países, com interesses na Síria e no Oriente Médio.

Os países ocidentais, principalmente os EUA, França e Reino Unido, declararam apoio às forças de oposição, denominadas pela imprensa de forças rebeldes. O governo dos EUA inclusive chegou a reconhecer, em dezembro de 2012, a CNSOFR como representante legítima da Síria, pretendendo deslegitimar o governo de Al-Assad, e criou ainda o Grupo de Apoio Sírio (Syrian Support Group, SSG, em inglês), uma entidade destinada a angariar recursos financeiros e apoio não letal para apoiar o Exército Livre Sírio (ELS), a principal organização da CNSOFR. O ELS foi formado principalmente por desertores das Forças Armadas Sírias, que passaram para a oposição ao regime.

Existe também uma coalização forças ligadas a grupos islâmicos, cujos guerreiros, os mujahidin, estariam combater pelo jihad, a guerra santa muçulmana. Entenda-se que os grupos islâmicos estão organizados na Frente Síria de Libertação Islâmica, próximos à Irmandade Muçulmana; a Frente Islâmica Síria, que defende a instalação de um Estado teocrático no país. Todavia, além dos EUA, apoiam os opositores sírios de Al-Assad a Turquia, Reino Unido, França, Arábia Saudita, Qatar e Israel. O apoio desses países acontece de várias formas, principalmente através do envio de armas e na facilidade de transporte delas através das fronteiras.

Porém, tal como ocorreu  com os demais países que tiveram manifestações da Primavera Árabe na Síria também se identifica a interferência de outros países, o que vem a tornar ainda mais complexo o processo que visa por fim ao conflito. E para nos lembrarmos, temos em mente que foi o apoio das forças ocidentais que levaram à queda do então presidente líbio Gadaffi.

Entretanto, apesar do isolamento do governo sírio, fortalecido após o apoio dado ao grupo islâmico libanês Hezbollah, em 2008, Al-Assad tem sido defendido pela Rússia, China, além do Irã, Líbano e Iraque.

Contudo, a busca para comprovar o uso de armas químicas, com gás sarín, por parte do exército de Al-Assad, não é propriamente um assunto novo por parte dos governos ocidentais. Em 21 de agosto de 2013, o governo do presidente americano Barack Obama tentou justificar um ataque aéreo à Síria tendo como fundamentação os mesmos argumentos que hoje se repetem, sem no entanto haver a comprovação de tais factos.

Tirando as suposições, até o momento não existem provas concretas que permitem acusar o governante sírio de crime contra a humanidade, mas esta parece ser a única forma de obter o aval da maioria dos países da ONU para o ataque à Síria.

Segundo o alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, "os confrontos armados na Siria forçaram cerca de 5,6 milhões de pessoas a deixar o país em busca de segurança. Outras 500 mil tiveram de abandonar suas casas e vivem como deslocadas forçadas dentro do território sírio".
As condições de vida dos civis dentro da Síria são piores do que nunca, com 69% da população vivendo na pobreza extrema. O número de famílias que gastam mais da metade da sua renda anual com comida aumentou para 90%. Os preços dos alimentos são, em média, oito vezes mais altos do que os níveis anteriores à crise.
A maioria dos refugiados sírios em países vizinhos vive abaixo da linha da pobreza. Mais de três quartos dos refugiados nas áreas urbanas da Jordânia e do Líbano são incapazes de suprir suas necessidades básicas de alimentação, moradia, saúde e educação.

A proporção de crianças refugiadas na escola aumentou nos últimos anos. No entanto, 43% do 1,7 milhão de refugiados sírios em idade escolar não frequentam um centro de ensino. Os sistemas nacionais de educação pública nos países de acolhimento estão tendo de criar segundos turnos para acomodar estudantes sírios e precisam de mais apoio.

No meio de tanto choque para a emancipação do poder, o que não se diz sobre o conflito Sírio, é que a Síria parece ter tido o azar de ser escolhido como o campo do espetáculo para se travar a então ascensão da Rússia, no que diz respeito a recuperação da sua posição de potência hegemônica no contexto das super potenciais mundiais.

O desejo do presidente Vladimir Putin levar a solução do conflito Sírio pelas vias diplomáticas não tem tido sucesso, pois o real interesse dos países ocidentais não parece estar alineado a paz. É precisamente sob este manto escuro, que se intensifica a cada dia, que se anula a possibilidade da resolução do conflito Sírio.

Actualmente, passados cerca de sete (2018-2011) anos desde o início e vigência  do conflito na Síria, podemos concluir que o conflito Sírio revela mais uma vez fragilidade da Organização das Nações Unidas no que diz respeito aos temas ligados a resolução de conflitos, considerando que para a resolução de conflitos os Estados podem adoptar
três formas básicas: persuasão, dissuasão e coerção. O que se constatou no caso Sírio foi a implementação da coerção no seu último estágio, com a realização da guerra no campo das operações, e dela hoje o povo Sírio vive as suas implicações e consequências. Razão para se reflectir se já não é tempo de se rever as estratégias para resolução de conflitos que são formuladas na ONU (...).

Até lá, a infeliz realidade reside no permanente fracasso que se mantém, dada a continuidade do conflito!

sexta-feira, 16 de março de 2018

Iº DEGRAUS DA VIDA 

Quando o futuro parece estar nas trapaças que cada um pode fazer (...)
FICÇÃO

Por: Bento dos Santos (in: Pensar Social, Exercer Cidadania (II BREVEMENTE)

- Muita lata isto sim. O mau hábito que muitos mais-velhos tem de andarem por ai a dizer que os jovens são os culpados disto e daquilo e mais àquilo, ah, porque no tempo deles era diferente e tal e qué, só revela a inveja que eles tem dos putos.

Agora que os mádies minguaram é a nossa vez de dar o show. Á porque os jovens tem de se formar primeiro, ah, porque o nosso país precisa de muitos engenheiros, á porque temos que ser todos doutores (…) vão lá se lixar!

Vocês já viram como está o vizinho Gonzo?! (…)

Anh! Está tonto. Mais uns dias vai ficar bazeza de tanta frustração. Amarrou-amarrou-amarrou, agora nem salu tem. Está frustrado, para beber uma birra tem de ser pendura! E nem cubico tem!

Mais um dia e a capuca vai ser o B.I dele para o reino do Benfica!

Qual escola qual quê… Bilionários com massa de verdade como Steve Jobs, Sheldon Adelson, Larry Ellison, Li Ka-shing, Paul Allen, o cota Yc Wang entre outros. Mesmo o cota Bill Gates co-fundador da Microsoft, só amarrou um coxito na FAU de Harvard e viu que os book não estavam a dar nada, abandonou aqueles dois mambos, tipos eram cursos de Matemática e Direito ou quê; Mas mesmo sem bukar muito ele ganhou fama de vijú quando apostou no bisno de software. Naquele time em que hardware valia bué, não era como agora em todas quinas bué computer avuvulai tipo moscas.

Anh! Tá pensa quê… nois daqui do gueto também amarramos e sabemos destes mambos, a porque Yes e Not aqui também somos bilingué! Tá brincar ou qué.

Em 2008, a lista da Forbes uma revista que fala dos boss de verdade, já apontava o cota Bill Gates como o terceiro homem mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em cerca de Cinquenta e Oito Bilhões de Dólares Norte Americanos. E atenção… Ele não amarrou nada! Tá pensar que é como estes papóites daqui que tremem, e o kumbú deles só serve para enfeitar o saldo do cartão multicaixa!

Aqueles não! Tás a ver! São cotas de verdade que não tremem no Kumbú. Kitadi é kitadi!

São cotas que não amarraram mas que tem massa de verdade. Não são como esses nossos que o Kumbú deles, só dá para contribuir no óbito. O Kumbú que aqueles cotas tem no banco, você para ler os números tens de fazer um curso para ler os milhares de zeros que tem. Assim tipo o cota Bill Gates que tem na conta dele, Um Trilhão, Bilião, Milhão de Trilhões de Biliões de Quatrilhões de Dólares. Você tenta ainda escrever este número! Vais ficar tonto. Vais meter bué de zeros que até vais acabar às páginas do teu caderno e mesmo assim não vais conseguir (…); tás pensar que é brincadeira! E sabes porquê?! Porque ainda vai faltar espaço para escreveres os milhares de cêntimos dos centavos dos décimos (…) Anh! Riste né!

Mó irmão vó ti dar uma dica! Para ganhar na vida o mambo é mesmo bisno!

A malta vai ali, por exemplo no cubico do kota Padre, ele como está paiar aquele camião dele a quinze paus, a malta aumenta o preço para trinta paus. O camião dele como ainda está fixe, banzelamos o mádie como está distraído, a malta arranja um bazeza como cliente, páia o mambo e já está!

É Kumbú na hora!

Outro bisno… A malta vai naquele terreno que estes mádies do governo provincial meteram a placa porque “Reserva Fundiária” a malta fundi a placa, ocupamos aquele mambo, chamamos bué de mádies para ficarem connosco lhes demos também cada um coxito de terra e eles fazem lá uns bate-chapa, tá ver né aqueles cúbicos de chapa, tipo as barracas da mãe grande, tá ver né… ou mesmo lhes paiamos a preços de banana, quando os mádies das autoridades tentarem vir nos tirar (…) qual quê (…) eles também vão querer fazer parte do bisno, se vacilarem nós temos de dar uma de sermos mais de mil pessoas, depois vamos na rádio, vamos nos jornais, nos filmam na televisão e já está!

Se continuarem a tentar nos tirar, é só nós acionar os mádies dos meios de comunicação social, eles como gostam destas cenas, vão dizer que o governo está a desalojar a população e isto é contra os direitos humanos e outras dicas mais, depois vem a comunidade internacional com a tal dica dos países do bisno da ingerência politica e já está!

É bisno grande mó irmão! Tô a ti falá!

Depois é só paiar o terreno. É bobeira!

Outro bisno!

É só conseguirmos o canal dos mádies dos serviços de emigração e passamos a paiar vistos nos chinocas. É muito cumbu. Assim a malta faz a nossa vida.

Vocês nu andam a ver que os mádies que amarraram bué, depois ficam todos fuscos!

Até às damas que eles cangam são às que nós já dispensamos. E sabes porquê?! Porque o Kumbú é que fala! E nós do bisno é que temos a massa. Todo madié que amarrou bué e tem Kumbú é porque tem um-ponta-de-lança, um madié assim bué vivo como nós.

Agora bué de dica só bem malaike porque tem de estudar, tem de estudar. Estes cotas são caretas. O importante é só saber ler e contar. Principalmente contar os mambos de mais; e o resto é conversa ya.

“Memórias do extracto de uma das inúmeras palestras realizadas diariamente em círculos informais das distintas artérias da cidade de Luanda, pela Associação Nacional dos Bisneiros de Angola”.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A FAMA DA INCOMPETÊNCIA NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

Quem dizer que nunca ouviu ou viu "a fama da incompetência" talvez esteja a faltar com a verdade. Isto porque, nos últimos tempos a fama da incompetência tem estado ligada a nós regularmente. Lembra-se da famosa frase do então senador americano Hiram Johnson, que diz:

-"A primeira vítima, quando começa a guerra, é a verdade". Pois bem, a referência a referida frase deve-se ao facto de que, nos últimos tempos quase todas sociedades parecem estar ligadas a um novo tipo de sociedade(passa a redundância) "no caso a sociedade virtual" descrita no livro Pensar Social, Exercer Cidadania.

Mas alguns talvez dirão:

- Mas nós não estamos em guerra!

Pois bem; infelizmente quem assim pensar está enganado. Sim estarão enganados, os que assim pensarem. E como redigia, infelizmente estamos em guerra sim!

Estamos na guerra da informação; dai o recurso a famosa frase do então senador americano Hiram Johnson.

Estamos em guerra sim! E quase pelo mesmos motivos que originaram as grandes guerras, no caso a ambição pelo poder.

Se a primeira guerra mundial teve como pretexto de fundo a insatisfação da partilha das então colônias, por parte de alguns países na época considerados como grandes potências mundiais, hoje devido a ligação ao mundo virtual, as grandes potências, assim como os países emergentes, incluindo os países em via de desenvolvimento, todos arrolados no mundo das tecnologias de informação e comunicação e pela ambição do poder confrontam-se numa grande guerra para o controlo da informação mundial.

Lembra-se? Informação é poder.  Assim sendo, é com base nesta mesma busca, para o domínio da informação, isto é, para serem detentores do poder, para poderem influenciar as sociedades, é com base nesta ânsia do poder da informação que nos deparamos com uma guerra sob a capa da instauração da democracia, promovida pela arma revolucionária designada "internet" e as suas inovações constantes designadas "redes sociais" que nos submetemos a fama da incompetência.

Mas se a fama da incompetência se parece tão famosa, porquê que muitos apesar de já terem convivido com ela, como podem afirmar não a conhecerem? O que é a fama da incompetência?

A fama da incompetência é nada mais, nada menos, do que as falsas informações produzidas e partilhadas na internet. Dai o paralelismo a célebre frase "A primeira vítima, quando começa a guerra, é a verdade"; pois porque em tempos da guerra da informação, onde "todos parecem falar ao mesmo tempo, produzindo ruido" somos muitos os utilizadores da internet, que é subsequentemente a plataforma das redes sociais, onde muitos entre nós utilizadores destas tecnologias, nos esquecemos de auto nos questionar, sobre como são construídas as informações que recebemos e quase que roboticamente as partilhamos sem avaliar-mos a veracidade das mesmas, ou não, e consequentemente, nos esquecemos de reflectir sobre a dimensão e as consequências que tais informações podem ter quando partilhadas por cada um de nós.

É neste frenetismo quase como inconsciente que nos encaramos, sobre pretexto da partilha de informação, que nos tornamos gratuitamente soldados promotores da fama da incompetência!

Partilhamos vídeos, partilhamos informações resultantes de boatos e falsidades, evocamos de forma desmedida o nome do senhor, desenvolvemos irracionalmente o ódio, construímos falsos amores virtuais, sem percebermos que estamos no meio de uma guerra "a guerra das sociedades da informação, onde o nosso inimigo somos nós mesmos, isto em cada instante que agimos como máquinas sem refletirmos que informação devemos consumir nas redes sociais, sem fazermos o mínimo de esforço, em pensar porquê que devo partilhar esta ou aquela informação?

E sem percebermos somos assim os promotores da fama da incompetência, porque muitas vezes acabamos por promover a mentira ideológica que nada mais é, do que a busca para conquistar o consentimento público por parte de quem emite tais informações.

É nesta realidade da fama da incompetência, por não se reflectir sobre que tipo de informações consumimos durante o processo da formação da nossa opinião, que acaba por ser uma promotora da incompetência!

*Bento José dos Santos.
Comunicólogo, Assessor Político e Social; Pesquisador e Escritor.*

sábado, 25 de novembro de 2017

*A ESPIRAL DO SILÊNCIO NO CONTEXTO SOCIAL E POLÍTICO ANGOLANO EM TEMPOS DA NOVA REPÚBLICA* 

Por: Bento dos Santos

Hoje, recebi uma chamada que motivou-me a escrever o presente texto. Durante a chamada fui inquerido se certa pessoa podia ou não opinar sobre os diversos assuntos de cariz politico e social, que tem ocorrido nos últimos tempos.

Como sabemos, isto porque foi o que muitos vivenciamos durante as eleições, apesar das inúmeras manifestações sépticas, era previsível que a realização das eleições de 23 de Agosto do presente ano (2017) iria provocar uma mudança no paradigma político e social no contexto da sociedade angolana. E para afastar os receios vigentes na ocasião das eleições, nos parece que os últimos factos decorrentes no contexto político e social angolano, acabaram por nos liberar das mais profundas necessidades de realizarmos incursões com longas abordagens, que a nosso entender, mais seriam para avivar qualquer mente, antes sépticas, caso o assunto actual a abordar for “exonerações”. 

Com as alterações que estão a ser realizadas no xadrez governativo, nos parece que o adágio “ver para querer” tem afastado os septicíssimos até então vigentes nas memórias de muitos cidadãos.

Porém, a mudança do paradigma político actual, e aqui destacamos o facto da regularidade que se dá actualmente a palavra “paradigma” que parece estar em voga na nossa sociedade intelectual, pois agora na boca dos bons falantes 《》escuta-se com regularidade "novo paradigma para aqui, “novo paradigma para acóla” enfim, como transcrevíamos, o novo paradigma político e social tem dado origem a vários cenários, entre os quais, para nós importa destacar o da formação da opinião pública.

Com a actual abertura promovida pelo recém-eleito e investido, Presidente da República, João Lourenço, nos parece que uma pergunta tem inquietado muitos militantes, amigos, simpatizantes e até mesmo opositores do partido maioritário. A pergunta é: 

- Devemos falar, ou não?!

- Será que já é o momento ideal para emitir a nossa opinião, ou ainda é cedo para tal, o que nos levaria a tecer opiniões desconcertadas?

- Onde e quando devemos falar?

- Porquê que devemos falar?

Entenda-se, o falar que fazemos referência, trata-se propriamente de opinar sobre os diversos assuntos de interesse público, actualmente circulantes na esfera pública.

Todavia, para uma melhor elucidação, achamos conveniente subsidiarmos a nossa reflexão com base numa das teorias das ciências da comunicação, no caso a teoria da espiral do silêncio, proposta, em 1973, pela socióloga alemã Elisabeth Noelle-Neumann.

A teoria da espiral do silêncio, ou teoria do silêncio se assim preferirem, cujo conteúdo incide sobre a relação entre os meios de comunicação e a opinião pública e que representou uma nova ruptura com as teorias dos efeitos limitados, pressupõe os seguintes pressupostos: as pessoas temem o isolamento, buscam a integração social e gostam de ser populares; por isso, as pessoas têm de permanecer atentas às opiniões e aos comportamentos maioritários e procuram expressar-se dentro dos parâmetros da maioria. 

Noelle-Neumann “defendeu também que a formação das opiniões maioritárias é o resultado das relações entre os meios de comunicação de massas, a comunicação interpessoal e a percepção que cada indivíduo tem da sua própria opinião quando confrontada com a dos outros. Ou seja, a opinião é fruto de valores sociais, da informação veiculada pela comunicação social e também do que os outros pensam.”

A socióloga admite a existência de dois tipos de opinião e de atitudes: as estáticas, que radicam, por exemplo, nos costumes, e as geradoras de mudança, como as opiniões decorrentes das filosofias de acção. Nesta corrente, as pessoas definir-se-iam em relação às primeiras por acordo e adesão ou por desacordo e afastamento. Porém, em relação às opiniões e atitudes configuradoras de mudança, os indivíduos, desejosos de popularidade e com o objectivo de não se isolarem, seriam bastante cautelosos. Assim, se a mudança se estivesse a dar no sentido das suas opiniões e se sentissem que haveria receptividade pública para a expressão dessas opiniões, as pessoas não hesitariam em expô-las.

Contudo, se as mudanças estivessem a decorrer em sentido contrário ou se as pessoas sentissem que não haveria receptividade pública para a exposição das suas opiniões, tenderiam a silenciar-se. “O resultado é um processo em espiral que incita os indivíduos a perceber as mudanças de opinião e a segui-las até que uma opinião se estabelece como a atitude prevalecente, enquanto as outras opiniões são rejeitadas ou evitadas por todos, à excepção dos duros de espírito, que persistem na sua opinião, que quanto a nós nos parece existirem poucos (...) 

E como estamos a reflectir sobre comunicação, também nos importa integrar os meios de comunicação social. Com relação ao assunto, estes tendem a consagrar mais espaço às opiniões dominantes, reforçando-as, consensualizando-as e contribuindo para “calar” as minorias pelo isolamento e pela não referenciação. 

O que estamos a afirmar é que os meios de comunicação social, tendem a privilegiar as opiniões que parecem ser dominantes, fazendo com que essas opiniões pareçam consensuais quando de facto não o são.  

Portanto, somos de opinião que apesar da abertura politica que foi promovida pelo novo Presidente da República, que visa estimular as pessoas para terem uma comunicação pública mais participativa e responsável, a verdade que se constata é que muitos cidadãos continuam presos na espiral do silêncio. Para muitos, os tais silenciosos parecem que não estão emitir qualquer opinião propriamente dita, mas na verdade estão emitir outras opiniões através do silêncio. 

Razão que nos leva a reflectir; será que quem cala, realmente consente?

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

REACÇÕES EUFÓRICAS E AS ACÇÕES DAS MASSAS

Por: Bento dos Santos
As manifestações eufóricas resultantes da "onda de exonerações" protagonizadas pelo Presidente da República nos últimos dias, tem vindo a certificar mais uma vez o comportamento de "massa" que chegou a ser descrito de forma brilhante pelos estudos desenvolvidos pelos pesquisadores da escola alemã de Frankfurt, onde célebres intelectuais desenvolveram a conhecida Teoria Crítica da Sociedade. Entre os seus principais integrantes destacamos nomes sonantes como: Theodor Adorno, Max Horkheimer, Walter Benjamin, Herbert Marcuse, Leo Lowenthal, Erich Fromm, Jurgen Habermas, entre outros.
Para estes pensadores, a indústria cultural actua como uma forma de padronização dos gostos e desejos dos seres humanos, voltando-os para o consumo, aqui falamos em particular do consumo da informação.
A referência ao consumo da informação se estende a vida para o trabalho e a diversão como forma de alienação, caracterizada pela forma das pessoas não conseguirem reconhecer que são retirados da sua própria existência em função das influências produzidas pelo consumo de informação proveniente dos meios de comunicação social. A mídia e a propaganda actuam como principais elementos de massificação dos sujeitos. Pela mídia todos desejam imitar “as figuras públicas ou procuram seguir e fazer aquilo que esta na moda; seguindo uma onda que os identifica com aqueles que aparentemente representam a opinião da maioria e que supostamente a maioria aprova, mas que na realidade, na esfera pública taís  aparências ou percepções são apenas resultados da disseminação da informação difundida pela mídia, onde se cria uma percepção de que aquilo de está a ser dito é o melhor para todos, ou seja é a opinião pública"...
Apesar da comunicação ter uma visão macro da cultura de massa, e individualmente, da cultura popular, partindo do princípio de que cada ser tem seu próprio pensamento, a realidade é que as pessoas geralmente reagem em função do comportamento dos seus guias ou das suas "estrelas" entenda-se, as pessoas agem influenciadas directa ou indirectamente em função das reacções daqueles que eles elegem e credibilizam como seus formadores de opiniões, isto em função do protagonismo público que estes têm na esfera pública.
Para exemplificar podem ver o número de reacções ou "comentários" que tem nos posts de alguns jornalistas, analistas ou políticos, como Ismael Mateus, Reginaldo Silva, Celso Malavoloneke, Luísa Rogério, Graça Campos, João Pinto e tantos outros líderes de opinião da nossa esfera pública.
Porém, o conceito de massa ou da indústria cultural é aqui abordado em função das reacções massivas onde a febre da aparente satisfação parece ter deslumbrado vozes antes "omissas" mas que faziam eco ao adágio popular "quem cala consente"!
Talvez devemos entender o motivo de tanta euforia, centrados na propagação
dos efeitos da mídia pela forma que deu cobertura a matérias ligadas a empresa pública Sonangol que pelo seu posicionamento na economia angolana e muito dos seus assuntos acabam por ser de interesse público, pois as acções dai resultantes tem efeitos primários na vida dos cidadãos.
Por exemplo, quando se aumenta o preço da gasolina, geralmente toda estrutura de preços no mercado nacional, sofrem alterações. E mais se pode ver com relação ao preço do barril de petróleo no mercado internacional, que tem reduzido as perspectivas de vida melhor, pela escassez de divisas, entenda-se dólar ou euro.
Mas, no meio de tanta euforia, o que está mesmo a passar como se nada fosse são os outros assuntos que entre tantos, alguns serão discutidos na sessão plenária da assembleia a ser realizada no dia 17/11/017, onde se pretende avaliar a aprovação da pauta aduaneira revista, que para muito de nós, esta pauta tem sido a pauta das reprovações, e que infelizmente muitas das políticas ai constantes não se ajustam a nossa actual realidade. Mas como o assunto ainda não está na moda...quem sabe não ficará para depois (...);
Outra situação que parece ter ficado também "adormecida" é a questão do aumento da criminalidade. Por termos novos assuntos que dominam os temas de interesse público, a pressão que se vinha fazendo, sobre a necessidade de se conter os índices da ascensão da criminalidade parece que ficaram por baixo da mesa na euforia das abordagens da mídia e dos cidadãos.
Perante a tanta euforia três lições podem ser apreendidas.
1- A maioria geralmente dança a música que esta na moda, e procuram dar os toques da dança que esta na moda;
2- Para muitos nem sempre o prioritário é o mais importante;
3- A maioria nunca escolhe o que quer realmente, geralmente escolhe o que os outros lhes dizem ser melhor e esquecem o que lhes poderá ser útil no futuro;
Infelizmente por assim ser, muitos são os que acabam por não validar as suas opiniões em detrimento da opinião publicada.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

DISSERTAÇÃO COMUNICAÇÃO E DISPUTAS POLÍTICAS UMA VISÃO SÍNTESE SOB OS CONCEITOS E SLOGANS DAS CAMPANHAS POLÍTICAS NAS ELEIÇÕES DE 2017 EM ANGOLA


COMUNICAÇÃO E OPINIÃO PÚBLICA/LIVRO DE BENTO JOSÉ DOS SANTOS

COMUNICAÇÃO E OPINIÃO PÚBLICA é a segunda obra literária do autor Bento José dos Santos. Publicada no ano 2016 a obra passou a estar disponível para o público em Janeiro do ano 2017. Comunicação e Opinião Pública é um livro científico resultante de um trabalho de pesquisa exploratória de campo, de natureza aplicada qualificativa que analisou a participação dos cidadãos nos meios radiofônicos durante o processo da formação da opinião pública.
A pesquisa até então inédita no campo das ciências da comunicação social angolana, procurou dar respostas as seguintes questões: A Opinião Pública é Realmente Proveniente do Público? Os Meios de Comunicação Social Formam a Opinião Pública? Quem é Figura Pública? O que é a Imagem No Contexto da Opinião Pública? Como Se Forma o Estado de Opiniões e Comentários No Contexto da Opinião Pública? A Sua Opinião é Opinião Pública? (...); e muito mais.
Com uma tiragem de mais de 1500 exemplares a obra  requer já uma nova tiragem dada a elevada procura por parte do público leitor. Comunicação e Opinião Pública aborda a necessidade da mudança de paradigma do modelo de jornalismo angolano que caracteriza-se pelo protecionismo institucional, onde as informações são geralmente extraídas de reportes institucionais, mudando para um modelo de jornalismo mais factual e actuante caracterizado pela investigação jornalística.
Disponível nas livrarias Irmãs Paulinas, Mensagem e na Discoteca Valódia o livro Comunicação e Opinião Pública, se apresenta como um contributo válido de leitura obrigatória para os profissionais da comunicação, assim como do campo científico, estudantes do curso de Comunicação Social e Ciências da Comunicação, e os demais profissionais das áreas das ciências humanas, psicólogos, sociólogos, juristas, economistas entre outras áreas do saber.
Compre e Léia!
Comunicação e Opinião Pública; A Sua Opinião Na Participação Social.