INFORMAÇÃO É FORMAÇÃO

sábado, 25 de junho de 2016

REINO UNIDO FORA DA UNIÃO EUROPEIA "UMA REFLEXÃO QUE SE IMPÕEM"


Por: Bento dos Santos
Alguns talvez dirão:
-" O problema é deles, nós também temos os nossos problemas".
É bem verdade que sim. Todavia, hoje tais acontecimentos não são passíveis de um simples olhar e a desvaneio assobiar de lado, ignorando às questões, quando sabemos que hoje o mundo tal como o conhecemos é equiparado a uma aldeia global.
Podemos resumir tal acepção, percebendo que o que se faz em um determinado país, o que acontece em determinado país, o que ocorre em um determinado estado pode em muitas ocasiões influenciar em outros estados, fazendo com que estes alterem às suas políticas económicas, jurídicas, educacionais entre outras.
Com 52% dos votos a favor e 48% contra, o Reino Unido decidiu sair da União Europeia. A vontade do povo Britânico ditou mais uma vez as regras da vigência da democracia naquele país.
A opinião pública britânica demostrou a sua posição e passa a fazer história com um referendo que já marca o mês de Junho de 2016 para história internacional e que põe fim a décadas de vigência. Foi a cerca de 41 anos atrás a quando do 5 de Junho de 1975 quando o governo do então Primeiro-ministro Trabalhista Harold Wilson perguntou aos eleitores se o Reino Unido devia permanecer na Comunidade Económica Europeia "CEE".
Na época o Reino Unido já havia aderido à CEE, isto em 1973, contudo, o actual acordo também servia de modelo para os demais continentes, que sob filosofia da plataforma "juntos somos mais fortes" tentam integrar as políticas entre estados, na perspectiva de uma governação regional e continental.
Às consequências da saída do Reino Unido da União Europeia fizeram com que David Cameron, Primeiro-ministro daquele país, que defendia o não, "entenda-se o não da saída da união europeia" após os resultados, pose-se o seu cargo a disposição. Segundo o mesmo, vai deixar o cargo já no mês de Outubro do ano em curso, sob pretexto de que o presente resultado impõem uma nova liderança para o Reino Unido.
Entre as mais variadas consequências a economia britânica parece ser também aquela cujos efeitos imediatos parecem produzir efeitos imediatos, tendo a Libra conhecido já uma queda na cotação do mercado.
Por outra, o preço do barril de petróleo registou mais uma baixa. Diz-nos a experiência que o cenário de instabilidades económicas trazem sempre a reboque uma avalanche de incertezas. A questão da saída do Reino Unido não é diferente.
A única certeza que o referendo parece trazer é a própria avalanche de incertezas.
Às consequências do “fora do Reino Unido” estende-se além do próprio continente europeu, para termos uma ideia deste prognóstico, podemos basear-se na importância das contribuições económicas que o Reino Unido fazia para a União Europeia que por sua vez estendia os seus tentáculos de influência económica em todo mundo com pacotes de financiamento que permitiam ter um jogo de influência política que dispensa outros comentários neste particular.
Porém, apesar de muitos prognosticarem que a saída do Reino Unido não vai provocar o efeito dominó, para os demais países europeus ou para o mundo, a nosso entender tal efeito será sim uma realidade, tímida, mas factual.
O que assistimos com a saída do Reino Unido da União Europeia é sim uma nova configuração na geopolítica económica mundial, onde os Estados guardiões como EUA e Rússia apesar de não terem um papel directo na formatação das opiniões dos eleitores do referendo, a verdade oculta é que a nova reconfiguração geopolítica mundial estará centrada numa economia ainda mais centralizada a nível das nações mais poderosas, isto aumentando a dependência das nações no quadro da estabilidade económica e da própria segurança regional.
Quem afirma que o Reino Unido saindo da União Europeia arrisca-se a falir como estado, certamente ao fazer tal afirmação também arrisca-se em esquecer-se que o Reino Unido pode ser um balão de ensaio de um novo modelo de governação centrado na formulação de políticas exclusivas perante as instabilidades mundial (crise humanitária em função da emigração, etc).
Reafirmamos que certamente haverá também uma mudança na ideologia política Britânica. O que quer dizer que os conservadores britânicos podem emancipar-se achando que assim haverá mais uma vez a possibilidade de liderar o mastro da condução política do país.
No entanto, apesar das incertezas, podemos prognosticar que o efeito desta saída para o continente africano representa também menos ajuda no campo humanitário, mais instabilidade política e social e possivelmente a ascensão de novos conflitos armados.
Reino Unido Fora da União Europeia é questão ainda em curso.
As suas consequências? Sim! São ainda um esmerilhado de incertezas.
Mas fica a lição para todas outras intenções, como por exemplo o acordo do livre comércio na região da SADC que para está organização passa a ser uma experiência a ter conta, perante ascensão dos povos em quererem ver os seus governos a administrarem mais para dentro do que para fora...
Fica patente que com a saída da União Europeia o mundo perde um pouco a dimensão da importância do conceito que a união faz a força e consequentemente de que todos juntos é mais possível (...).

domingo, 12 de junho de 2016

A RETÓRICA DE TRUMP EM CAMPANHA ELEITORAL


Por: Bento dos Santos
Já passam alguns anos que defendo o seguinte pensamento: Para ser reconhecido pela opinião pública existem duas possibilidades, ou ser muito bom ou ser muito mau... Uma das condições certamente lhe transportará para fama.
Cépticos ou não, a verdade é que os estrategas de Trump já podem festejar a primeira etapa. O objectivo primário foi alcançado. Trump já é um dos fortes candidatos a casa Branca, e certamente vai concorrer a um dos cargos mais cobiçados do mundo. Trump já está nos holofotes da midia mundial, e em muitas ocasiões, gratuitamente. O cargo de Presidente dos Estados Unidos da América, um dos países mais poderoso do mundo tem agora um candidato com perfil de mal-educado, dizem alguns analistas internacionais.
Mas o que podemos aqui retratar, são as abordagens polémicas de Donald Trump o pre-candidato da esquerda republicana. Suas abordagens são quase sempre acompanhadas de insultos que chegam a dividir as opiniões no seio do seu Partido "Os Republicanos".
Por conseguinte a imprensa mundial, encontrou uma máquina grátis de produção de factos. Está máquina 《》 chama-se Donald Trump. Quando o homem abre a boca para falar ao público, deixa quase sempre um rastro de contradições e polémicas que a prior muitos políticos cá da nossa praça tidos como experimentados, já o consideravam como um difundo político. Diziam que Trump não passaria para a segunda fase...
E porque que tinham está visão?
Muitos confundiam, e talvez continuaram a confundir o que pode ser considerado como as perspectivas estratégicas dos estrategas de Trump que não se prenderam nas suas próprias convicções. Outros alegavam que Trump estava a fazer "show of", ou política para si mesmo...
Foram infelizes, pois com a chegada de Trump a concorrer a presidência da Casa Branca é claro que vão ter de baixar a crista e engolir a arrogância e talvez apreenderem a ouvir, pois vão ter de supotar a surdina mais uma falha de leitura e desenho de cenários o qual revelam que não estiveram habilitados para tal.
A pergunta:
- Como pode um candidato que ataca o eleitorado, destratando-o ser escolhido?
A resposta a está pergunta, centra-se precisamente no sucesso de Trump.
Enquanto uns se prendem avaliando o seu perfil, muitos entre o eleitorado se revejam nele, pois acreditam que Trump fala de tal forma porque sabe das coisas. Podemos dizer que a polémica de Trump faz ascender a sua própria credibilidade.
A estratégia da polémica discursiva de Trump centrou-se nas expectativas do próprio eleitorado. Não devemos esquecer que o sensacionalismo tem-se revelado como táctica muito forte para a estratégia da propaganda política nos últimos tempos. 
As acções e factos sensacionalistas têm mobilizado mais pessoas do que temas e factos recheados de valores sociais. Trump foi apelidado de mestre do insulto: - "Construiria um grande muro" prometeu Trump em certa ocasião...ao referir-se ao combate à imigração ilegal no seu país.
Outrossim, o eleitorado norte-americano ainda mantém elevada a ânsia da vingança, pos 11 de Setembro. O Presidente Obama teve dois mandatos que certamente vão ficar para história pela positiva, principalmente no campo das relações internacionais, mas ficou por resgatar o orgulho patriótico dos norte-americanos que anseiam voltar a ter a hegemonia da prepotência mundial, até num simples acto de identificação pelo passaporte. 
Outro factor a termos em consideração baseia-se na projecção da imagem no seio da opinião pública. Contrariamente ao modelo de liderança baseado na arrogância, o discurso musculado projecta uma falsa imagem de força para o eleitorado. Neste estágio de perspectivas associada a ansiedade, a projecção da força, sob estratégia discursiva anula a avaliação de outras qualidades que devia ter-se em conta por parte do eleitorado.
Atenção não estamos a assumir que o perfil do eleitorado seja composto por leigos, mas o uso do jogo da inteligência cognitiva de supostamente fazer e dar o que o próprio eleitorado quer.
Em muitas ocasiões, neste caso específico da época pré eleitoral, a referida estratégia funciona como uma massa de bolo posto numa forma a medida.
Assim, fica a lição. Para aqueles que ainda acham que uma boa estratégia discursiva já não mobiliza o eleitorado, seria bom que revessem as suas posições, pois em diversas ocasiões existem e sempre existiram, palavras que alteraram de forma drástica inúmeras situações. Tanto para o lado positivo como também para o negativo. E na política tal possibilidade não é excepção.

 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

FILOMENA FRANCISCO JOSÉ DOS SANTOS. "A MINHA MÃE"!




“Em memória de Filomena Francisco José dos Santos

Texto reeditado aos 15/02/2016”
Minha mãe, naquele dia voltou sem nada.
Não tinha vendido nada. Parece que os clientes adivinharam e resolveram participar na maldade.
Sabias que é maldade não comprares nada do negócio do pobre?
Parecia que a pouca sorte se multiplicará, e todos resolveram nos castigar. O negócio da minha mãe era pesado em quilos mas levíssimo no preço.
Era de fácil aquisição e tornava-se humilhante por vezes.
Eu e a mãe vendíamos garrafas vazias, e uma das muitas responsabilidades que a mãe me incumbiu naquele grande negócio, era tratar da área logística.

Eu transportava na cabeça o saco com mais de cem (100) garrafas de várias qualidades, e tinha de estar sempre em forma. No meu currículo descrevia-se a performance ideal para aquela profissão. Tinha as vantagens para admissão imediata para aquela vaga, pois a mãe não segmentava-se nas novas barreiras nacionais para pobre não “bumbar” os famosos requisitos profissionais como: “ inglês fluente, falado e escrito ou os famosos mil e cem (1100) anos de experiência profissional comprovada”.
Para seres admitido pela minha mãe, tinhas de ser angolano, saber andar, e de preferência correr, mas correr bem. Se possível correr mais que o compadre “Saiovo”. Tinhas também de agir com rapidez e perspicácia, características raras, só vistas nos currículos e nas acções dos muitos mádies do Kumbú aqui na nossa praça.
Nós zungueiros tínhamos de às ter, entenda-se os requisitos da corrida, pois os fiscais eram dotados em apropriações ilícitas, e nos tinham como principais alvos.
A mãe não me maltratava, afinal onde arranjaria ela força para tal, pois apesar de ela ser ainda muito jovem, aparentava a minha avó que nunca conheci.
Eu transportava às garrafas na cabeça apesar da minha tenra idade, assim como o povo transporta a luxaria e a falsidade dos incrédulos banhados da hipocrisia daqueles que nada querem saber em troca da fome e do sofrimento diário.
Quanto a venda das garrafas, naquele dia não pude fazê-lo, a mãe foi sozinha vender aquelas garrafas todas, às revendedoras de petróleo ou as cazucuteiras do óleo do motor e da gasolina lá na então praça dos sonhos, o Roque Santeiro.
A mãe me deixou em casa aos cuidados da minha prima Mãezinha que aos catorze anos já transportava quarenta de malandragem, e dela para mim os cuidados foram só de boca. Ela gozou comigo naquele dia, dizendo-me: “- Vais morrer. Isto é fome. Andas a te alimentar de sonhos. Saco vazio não fica em pé. Agora vais dar o caldo, vais ver!”.
Em seguida ela me abandonou, minutos depois, da mãe sair, pois apareceu um dos muitos amigos dela, que não tinham hora, e foram, para onde não sei, mas de certeza “um dos dois havia de ficar sem fome”- disse-me ela na despedida.
Eu já estava nas últimas a fome me apertava, os órgãos internos do meu corpo reclamavam, manifestando dores internas. Eu já tinha a doença da moda na época, e era um dos poucos no mundo com cólera mas sem os sintomas pois não tinha nada no organismo para exteriorizar. Ainda pensei no meu primo N´guexi que sempre me tentou moralizar, alegando que era só uma questão de calma e paciência, pois em breve as coisas mudariam. Grande primo. Mas a sorte também lhe foi madrasta. Muito estudo e nada. Era licenciado, mestrado e doutorado em cazucutas, mas mesmo assim nada! Até a dama já lhe abandonou, sem sequer lhe dizer basta, foi viver com um outro homem, assim mesmo tipo nada. Coragem, precisa ele também pensei.
A mãe regressou finalmente. Percebi pelo ruído do portão de chapa ao abrir-se. Após a entrada, ela dirigiu-se até ao local onde me encontrava e olhou para mim, e eu para ela, seu olhar vencia-me pois ainda tinha lágrimas. Eu estava falido até mesmo em lágrimas.
Queria a mãe levar-me ao hospital. Percebi pelos gritos de desespero que ela proferia, como se de um discurso politico se trata-se, mas o autocarro para me transportar também paga-se, e lá no nosso bairro 78, telefone era ainda um sonho. Ainda não tínhamos a antena, e sem o sinal, os telefones não funcionam, diziam os entendidos na matéria.
A mãe lastimava. No seu rosto lia-se a mensagem de fracasso como se de um soldado se trata-se, no regresso de uma delicada missão. E não era? (…)
Mais nada! Era o fim, o meu fim!
A mãe pegou-me ao colo gritando e lamentando, eu não sentia nada, ainda belisquei-lhe para fazer silêncio. Convidei-lhe a ver comigo alguém que já a muito ouvia falar, e finalmente estava presente, junto a mim.
Sim, pude conhecer finalmente o famoso diabo. Estava nu a assar sardinha com uma faca no bolso. A mãe parece que não entendeu o que lhe falei, e aumentou o delírio. Até achei graça, mas o sorriso era já interno. E como a mãe já não me ouvia, concentrei-me naqueles que comigo haviam de conviver, dai em diante.
Falei com o senhor diabo, perguntei-lhe do porque do meu fim nas suas malhas. Ele não respondeu prontamente, mas deu-me um panfleto onde lia-se:
- “Pobreza também é pecado, punido com inferno! O sofrimento não provém do inferno, é autoria dos pobres”.
Percebi que terminava assim a minha pouca sorte. No panfleto lia-se também que às pessoas que acabavam mortas, como eu, certamente gozariam do poder de disseminar a maldade pela terra, mas só mesmo sobre os outros pobres. Pensei (…)
Agora em diante sim, eu também fiquei poderoso, e poderei propor mais sofrimento na terra (…)
Ai, a minha mãe!

sábado, 9 de janeiro de 2016

A JUVENTUDE QUE ESTÁ NA MODA EM ANGOLA


Bento dos Santos

Nos últimos tempos tenho reflectido de forma invertida sobre uma contradição comum, principalmente no que diz respeito a algumas abordagens públicas sobre a juventude. É comum ouvir dizer que é na juventude onde vive-se a etapa dos principais conflitos, onde a rebeldia e a busca pela auto-independência, a etapa da busca do amor, da suposta liberdade (…); Contraditoriamente, escuta-se também os argumentos factuais « » que são os jovens o futuro das sociedades, a continuidade das nações.

Pior do que isto, assiste-se em inúmeros casos os jovens a adoptarem o espirito integrante de rebanho que compreende em sentir-se igual e aceite pela maioria dos jovens da sua faixa etária, perante ao cinismo e a autoritária disposição de tudo ceder em troca de ser aceite pelos outros do mesmo grupo.

Não é difícil recordar-se dos argumentos regularmente apresentados por muitos jovens que ao tentarem justificar-se das suas debilidades recordam-se, dizendo: - “Sou jovem, deixa-me viver a minha juventude” ou ainda, “sou jovem, por isso devo vestir assim” ou “deixa lá, são jovens, por isso fazem isto e aquilo…”.

Enfim, é uma imensidão de episódios que surgem, num momento ascendendo responsabilidades para os jovens e em outros justificando que talvez nesta etapa da vida se ajustaria dizer: - “Somos jovens crianças, por isso não podemos assumir estas e aquelas responsabilidades ou estas e aquelas consequências das nossas acções”!

Outra questão que parece ascender no seio da juventude actualmente, principalmente pela vaga das redes sociais mais concretamente pelo Facebook e o WhatsApp é o novo fenómeno social dos “opinam sobre tudo”… Actualmente, parece que a juventude angolana acordou com a sabedoria do emblemático “Professor Pardal”. Muitos dos jovens internautas revelam-se superdotados e mesmo sem estudos para tudo, pois a preguiça actualmente parece ser mais forte do que o culto da humildade que significa ter senso do quê real. Actualmente, assiste-se na juventude a obscuração do culto universal da verdade óbvia ao ponto de que todo mundo aparentemente já acha natural que, pelo facto de estar numa determinada rede social, independentemente dos seus conhecimentos sobre um determinado tema, o individuo já tem opiniões sobre todas coisas e miraculosamente, elas estarão mais certas do que ás dos seus progenitores e as dos seus avós.

Infelizmente, adivinha-se que o resultado desta crença generalizada poderá ser desastrosa, pois como sabemos pela história, todos movimentos totalitários e genocidas dos últimos séculos, entenda-se nazismo, fascismo, extremismo islâmico, entre outros, foram criados por jovens, e a sua militância foi aderida maciçamente nas universidades.

A pergunta: Não deviam ser os jovens (retórica extraída do livro Pensar Social, Exercer Cidadania) a quem lhes são incumbidas as responsabilidades do futuro de um determinado país, serem os maiores detentores da moralidade, da responsabilidade, ao invés de moldar-se aos caprichos da maioria onde opta pela supressão da sua personalidade?

Infelizmente não é caso. Contrariamente, o quê comum é ver-se os jovens a optarem pelo mundo da generalidade, no qual ontem adolescente emergido do pequeno mundo doméstico, pede acesso e para tal tem de optar pela adopção de simbolismos, gestos, olhares, códigos, tudo num aprendizado baseado na imitação literal e servil e sem questionamentos, se não optando pelo conformismo do “sou jovem” por isso devo e faço isto e aquilo…

E como adivinha-se o fracasso porque o grupo geralmente está desorientado, não é de espantar que as consequências do estágio nos grupos onde entre: bebedeiras ao sexo desregrado e com consequências que se adivinham entre a gravidez indesejada, até a celebração dos casamentos prematuros, porque tem receio de vir a ser apenas tia, às consequências como redigia caiem para o pode expiatório providencial de todos fracassos, no caso a família.

Tal acontece, porque a família os aceita como crianças e a sociedade os dá margem de erro com o argumento de facto de serem apenas jovens (…);

Os jovens a quem os seus julgamentos de juízo são quase sempre a inversão completa da realidade, os jovens que acham que estar a ler um livro ou artigo é um passatempo enfadonho, os jovens que acham que namorar baseando-se na conversa é burrice é coisa dos boélos ou velhice precoce, os jovens que acham que a melhor forma de celebrar o ano novo é fazendo sexo para entrar em grande, os jovens que acham que agora que terminaram a licenciatura o mundo estará aos seus pés, os jovens que acham que os seus pais já trabalharam o suficiente e eles como filhos só tem que herdar, os jovens que acham que já podem ser grandes chefes porque tiravam muitas notas altas durante a formação académica e quiçá profissional, os jovens que vestem assim, os que cortam o cabelo assim, os que conduzem assim, os das grandes máquinas e discotecas, os que têm bué de garinas, os que têm bons empregos, os jovens que conseguiram apartamentos nas centralidades e ainda não tem mulher e trocam de damas como se de roupa trata-se, as jovens que pensam que vão continuar a ser à mais bala a vida toda, os jovens e as jovens que vão no ginásio e ficam arrogantes assim-assim, os jovens que saem sempre com imagens naquelas revistas que parece que nos alimentam mas não, é só fama na pobreza mesmo, os jovens que pensam que revolução é só revindicar fazendo confusão e o resto manda “lixar” os jovens que consumem drogas licitas, muita birra, e ilícitas, a coca para dar n´ganza, porque pensam que assim estão na maior moda, a todos estes jovens, saibam que arriscam a tutelar que um mundo cujo discernimento esta nos jovens é um mundo condenado, pois não tem futuro!

A estes jovens o meu conselho agora que fui para a velhice ao fazer os meus 66 anos de idade, digo-lhes: é preciso primeiro saber para depois julgar, pois este deve ser o primeiro princípio do dever de qualquer homem ou mulher responsável. A estes jovens fica-lhes a tarefa de descobrirem que as coisas podem não ser o que parecem.

Sim, parece que para a juventude angolana os conhecimentos cognitivos são coisas apenas para os velhos. Esquecem-se que nesta altura o conhecimento só poderá servir para lhes informar do que deviam ter feito e não o fizeram. E como o arrependimento não trás o tempo de volta, então adivinha-se que os jovens no futuro fugiram o confronto, abstendo-se de julgar-se do que fez ontem e do que agora sabe (…).

Pode-se dizer que a vida daquele que na juventude em vez de esperar e buscar compreender, cedeu a tentação lisonjeira do convite dos grupos das amizades e se tornou mais um, mais uma dos muitos que apenas assistem a vida no futuro poderá ser tarde para voltar no tempo!

 

 

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O VALOR DA CRISE ECONÓMICA

Talvez somos muitos, os que assumimos publicamente que vivemos em permanente crise.
Talvez sempre pareça ser mais fácil dizer “é preciso ter calma e paciência, pois dias melhores virão”… Alias, neste período de crises parece que todos aqueles que assumem conviver permanentemente em crise são os melhores entre os diferentes protagonistas de grandes realizações.
Porém, a verdade ou a realidade sempre foi e é mais difícil para aqueles que vivem directamente as dificuldades, independentemente delas quais forem.
Muito recentemente fui questionado por uma criança de apenas 4 anos, a mesma pretendia saber quem era afinal a famosa crise que actualmente estava presente em todas respostas dos mais velhos. Dizia a criança em causa; que pediu brinquedos aos pais e estes justificaram não poderem atender o pedido por causa da crise. Pediu para que a mãe á compra-se um par de ténis novo, igual ao da filha da vizinha Kuzanga e a mãe alegou não o poder fazer por causa da crise. Disse também que quando liga a rádio e a televisão lá na casa dela, entre as vezes que funcionam, isto é, quando não existe a crise da luz, também ouve com permanência a falarem da Tia Crise naqueles meios de comunicação social. A pergunta da criança era pertinente, quis saber quem era a Tia Crise e porquê que ela era tão famosa. O objectivo da criança em questão era poder contactar a tal dita Tia Crise pois segundo ela, a Tia Crise tinha muito valor pela fama que possuía, e só ela podia atender os seus anseios neste período de tanta crise que nada que pedia era atendido.
Como nestas coisas de teorias por vezes torna-se difícil explicar o complexo como fácil as crianças, procurei justificar que a crise é um sistema de dificuldades que alguém vivência, no caso especifico, nós adultos nos referimos na actualidade a crise económica como sendo as oscilações em torno de uma média nos níveis de negócios da economia de um país.
Para uma melhor percepção para crianças é oportuno dizer e reiterar que ao falarmos de crise económica estamos a abordar sobre a falta de dinheiro.
Estamos em crise porque não temos dinheiro suficiente para comprar o ténis, os brinquedos, rebuçados, as bolachas etc, retorqui.
- E quanto custa uma crise económica? Qual é valor da Tia Crise?
Voltou a questionar-me a criança em causa.
Bem… Bem… Uma crise económica tem inúmeros elementos que apontam a desestabilização da cadeia produtiva de um país e ameaça levar a falência muitas empresas nacionais. Outrossim, nos próximos meses as perspectivas não são favoráveis para a nossa moeda o Kwanza, já que o dólar continuará em alta e a pressão do mercado sobre o câmbio é forte, o que faz-nos prever uma cotação do dólar em alta. Essa é a demonstração cabal da eclosão da crise e a forte desvalorização da moeda angolana frente à moeda norte-americana o que tem levado muitas empresas nacionais a situação de inadimplência.
Bem, quantificar propriamente o valor da crise é praticamente impossível, mas podemos fazer uma alusão sobre as expectativas das consequências da crise sobre a nossa economia.
Para começar podemos dizer que os tempos de crise são caracterizados como tempos difíceis. Assim poderemos ter como principais consequências da crise global na economia angolana os seguintes aspectos:
1º A queda do crescimento económico geral, medido pelo         Produto Interno Bruto “PIB”.
2º Queda das importações. Como dependemos maioritariamente das importações, a baixa do preço do petróleo afecta directamente na entrada de divisas, prevendo-se desta forma o acentuar do déficit na balança comercial.  Entenda-se que vamos gastar mais na compra, na importação, do que receberemos nas vendas, nas exportações.
3º Queda na taxa de investimento das empresas e do governo.
Diminuição dos volumes de capital disponível para crédito aos consumidores, e também para as empresas fazerem investimentos.
5º Aumento do desemprego. Isso provocará uma queda da renda, fazendo com que toda a classe trabalhadora tenha sua renda média diminuída, seja pelos salários mais baixos, seja pelo desemprego que afectará as famílias, seja pela falta de crescimento da economia em geral.
6º Outro aspecto bastante nocivo também será o aumento dos preços dos alimentos, que vão subir (alias já tem subido) mais rápido com a crise, por vários factores. Tal situação deve-se ao facto de que o comércio é controlado por grandes empresas transnacionais, que o controlam de forma monopólica e, por isso, vão controlar os preços para aumentar suas taxas de lucro.  Muitos insumos usados são importados e dependentes do petróleo e, por isso, vão aumentar de preço.
Podemos dizer que para gerir uma crise requer-se a unidade e a coesão do povo de um determinado país, e claro, custa também a sapiciência dos seus líderes que tem como missão e responsabilidade de estado definir politicas e gerir um determinado país.
Portanto, não é mensurável o valor de uma crise a nível previcionista quantitativo objectivo, pois não é mensurável prognosticar taxativamente o valor da crise económica que o nosso país vive, pois as crises económicas afectam os sectores politicos, sociais e económicos de um determinado país.
Quanto a adopção de algumas medidas para a reduzir a dimensão das suas consequências, podemos implementar estratégias para a redução do modelo de dependência do consumismo industrial externo, propriamente a importação (que realisticamente o prognóstico revela que não acabará nos próximos 4 á 5 anos) e de submissão ao sistema financeiro, aos bancos e transnacionais, para adoptarmos um outro tipo de economia, de maior valorização da produção industrial e agrícola interna (que realisticamente o prognóstico revela que não estará activa na dimensão nacional, nos próximos 3 anos, mas que temos de começar de alguma forma) assim como da elevação dos mecanismos de poupança interna para o fomento da sustentabilidade.
Não entendi nada… Respondeu a criança em causa.
Perante a este argumento, refutei… Pois é, no teu caso é compreensível, tu és uma criança, a minha preocupação prende-se a nós adultos, que somos muitos que também não entendemos nada, talvez por ignorância, e propagamos aos quatro ventos que não existe crise nenhuma, o que chega a ser de tamanha irresponsabilidade, pois não é proibido sonhar, mas é preciso sonhar com os pés no chão, caso contrário arriscamos-nos a comer mortadela e arrotar peru…
A verdade porém, é que nós angolanos, só ganharemos o pão com o suor do rosto de cada um, isto é, temos de trabalhar mais…
Quanto ao valor da crise, refutamos, crise é crise, e o seu valor é taxado no grau de dificuldades que cada povo vivência no seu país. Este é o valor da crise económica que vivenciamos.


domingo, 6 de dezembro de 2015

AMEAÇAS INTERNAS E O PAPEL DA SEGURANÇA DE ESTADO 3


Bento dos Santos

Este é o terceiro e último dos três artigos que me comprometi redigir, sobre o tema: “Ameaças Internas e o Papel da Segurança de Estado”. No entanto, espero que os textos anteriores tenham contribuído em certo modo para motivar a reflexão inerente ao tema em questão.

Como já fiz referência em outros artigos, refuto que apesar do nosso país vivenciar os primeiros anos de paz efectiva, a percepção sobre as ameaças não devem estar desvanecida para muitos angolanos, pois, é imprudente imaginar que um país com o potencial de Angola não enfrenta antagonismos ao perseguir seus legítimos interesses. Porém, realçamos que um dos propósitos dos órgãos de defesa e segurança é conscientizar todos os segmentos da sociedade angolana da importância da defesa do País e de que este é e deve ser um dever de todos os angolanos.

Assim sendo, a Segurança Nacional de um determinado país é a condição que permite ao País, preservar a sua soberania e integridade territorial, assim como promover os seus interesses nacionais, livre de pressões e ameaças, e garantir aos cidadãos o exercício dos seus direitos e deveres constitucionais. Por conseguinte, a Defesa Nacional será o conjunto de medidas e acções do Estado, com ênfase no campo militar, para a defesa do território, da soberania e dos interesses nacionais contra ameaças preponderantemente externas, potenciais ou manifestas.

É importante resgatar os conceitos transcritos no parágrafo anterior, dado o facto de que as ameaças aqui apresentadas de forma genérica podem constar na configuração da ordem internacional, caracterizada por assimetrias de poder, que em muitas ocasiões produzem tensões e instabilidades indesejáveis para a paz em determinados países. Neste particular, destaca-se a actual redução internacional do preço do petróleo que ocasionou a estagnação de muitas economias nacionais tornando-as mais vulneráveis às crises ocasionadas pela instabilidade económica e financeira em todo o mundo.

Porém a exclusão de parcela significativa da população mundial dos processos de produção, consumo e acesso à informação constitui também uma das várias situações que podem vir a configurar-se em conflito. Outro aspecto aliado a diversidade das ameaças que pairam sobre os interesses inconfessos de muitos estados sobre o nosso país, integra as questões ambientais, que permanecem como uma das preocupações da humanidade. As mudanças climáticas têm graves consequências sociais, com reflexos na capacidade estatal de agir e nas relações internacionais Países detentores de grande biodiversidade como é o caso do nosso “Angola” que também possui enormes reservas de recursos naturais e imensas áreas para serem incorporadas ao sistema produtivo, podem tornar-se objecto de interesse internacional.

Não menos importante, identificamos uma entre as várias questões geopolíticas que afectam o nosso país, que também importa realçar. Por exemplo, a segurança de um país é afectada pelo grau da estabilidade da região onde ele está inserido. Assim, é desejável que ocorra o consenso, a harmonia política e a convergência de acções entre os países vizinhos para reduzir os delitos transnacionais e alcançar melhores condições de desenvolvimento económico e social, tornando a região mais coesa e mais forte.

A existência das zonas de instabilidade e de ilícitos transnacionais pode provocar o início de conflitos para outros países da região. A persistência desses focos de incertezas é, também um elemento que justifica a prioridade à defesa do Estado, de modos a preservar os interesses nacionais, a soberania e a independência.

Como consequência da nossa situação geopolítica, é importante para Angola que se aprofunde o processo de desenvolvimento integrado e harmónico da África Austral, que se estende, naturalmente, à área da defesa e segurança regional. A vivificação das fronteiras, a protecção do meio ambiente e o uso sustentável dos recursos naturais são aspectos essenciais para o desenvolvimento e a integração da região.

Enfim, a dimensão das ameaças são tão diversas e inúmeras que não poderemos menciona-las conclusivamente neste exercício, no entanto, a persistência das ameaças à paz mundial requer a actualização permanente do aparelhamento das nossas Forças Armadas e dos demais órgãos de manutenção da soberania nacional. Por assim ser, os planos aliados a segurança nacional devem incluir todos os sectores da vida activa da sociedade angolana e, em particular, as áreas vitais onde se encontra a maior concentração do poder político e económico. Precisamos ver a nação identificada com a causa da defesa. Toda a estratégia nacional repousa sobre a conscientização do povo angolano quanto à importância central dos problemas de defesa e segurança interna e externa, pois a nação deve compreender que são inseparáveis as causas do desenvolvimento e da defesa.

O compromisso nacional da nação angolana, sempre foi e é um projecto do povo angolano, “Um Só Povo Uma Só Nação”. Neste âmbito, o projecto político do MPLA partido no poder no nosso país, sempre abraçou a ideia de nacionalidade e lutou para converter essa ideia para os distintos sectores da sociedade angolana. Esse facto também tem sido a garantia profunda da identificação da nação com as forças de segurança nacional e dessas com a Nação.

Por tudo exposto no presente artigo, reitero que a acção dos serviços de segurança de estado deve estar focada na antecipação dos factos. Por meio da inteligência, busca-se que todos os planeamentos políticos, estratégicos, operacionais e tácticos e a sua execução desenvolvam-se com base em dados que se transformam em conhecimentos confiáveis e oportunos por formas a salvaguardar os pilares da estabilidade da nação.

A busca pelas informações precisas é uma condição essencial para o emprego adequado dos distintos meios a disposição destes órgãos. A inteligência ou os serviços de segurança de estado são também desenvolvidos desde o tempo de paz, pois são eles que possibilitam superar as incertezas. É da sua vertente prospectiva que procedem os melhores resultados, permitindo o delineamento dos cursos de acção possíveis e os seus desdobramentos. A identificação das ameaças é o primeiro resultado da actividade da inteligência, por este facto, todas as instâncias do Estado devem contribuir para o incremento do nível de Segurança Nacional, dai a necessidade de se abortar iniciativas que fomentam a instabilidade social.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

OS DEBATES TELEVISIVOS TÊM CONTRIBUIDO NA DEMOCRATIZAÇÃO DA POLITICA NACIONAL?


Bento dos Santos

 

Os desafios da gestão política nacional tem aumentado o seu nível de complexidade em todos sectores do ambiente social angolano. Muitos entre os diferentes actores políticos nas vestes de partidos políticos, assim como os actores individuais integram na actualidade os interesses estratégicos externos de alguns estados do mundo ocidental, baseado numa influência de uma política pós-neocolonialista.

Apesar de que na actualidade assiste-se uma ascensão nas distintas formas de comunicação virtual, neste particular entende-se o crescimento exponencial das formas de comunicação interactiva baseadas nas novas tecnologias de comunicação e informação que promovem às transformações das modalidades com que se estabelecem às relações entre os diversos actores, a televisão, enquanto meio tradicional, ainda constitui um dos principais meios de informação de dimensões e inovações que funcionam como estratégia da amplificação da comunicação politica.

Por conseguinte, algumas vozes tentam de forma empírica defender que a televisão tem tido um efeito mínimo na formatação e formação da opinião pública, porquanto augura a vigência de um mal-estar mediático, argumentos que se incidem na preferência pela televisão em contraste com os jornais que actuam também como fonte de informação politica, o que tem causado o maior afastamento dos cidadãos em relação aos factos políticos difundidos pela televisão.

No entanto, tais argumentos caiem no descredito a quando da actualização da grelha dos programas emitidos pelos diversos canais televisivos, onde na actualidade existe no meio mediático nacional a TPA1, TPA2, TV ZIMBO, ZAP TV. No caso específico dos debates televisivos a título de reconhecimento de inovação criativa na grelha de programas, o mérito recai a TV ZIMBO que a tempo oportuno ascendeu a visibilidade da chama dos debates políticos televisivos, não pela sua originalidade na concepção, mas pela sua acutilância temática, o que certamente originou com que o debate político em televisão constitui-se um espaço privilegiado no plano da apresentação da discussão dos temas de interesse para a opinião pública.

A pergunta: será que os órgãos de comunicação que promovem o debate político estão a alcançar os seus objectivos perante a sociedade?

Á prior convém elucidar que os debates televisivos certamente objectivam aproximar os cidadãos, isto a nível de “audiências” que consequentemente afectaram no aumento da rentabilidade para um determinado órgão, assim como ajudam a clarificar às omissões e dúvidas entre os governados e os governantes, sempre sob uma plataforma de discussão democrática.

Porém, não podemos esquecer o factor espectáculo no seio da televisão, aqui contextualizado subjectivamente como a constituição dos espaços da realização dos debates políticos no seio da televisão. Tal facto associado ao cenário, o grafismo, e não menos importante o papel do jornalista enquanto moderador do painel constituem os componentes do cenário do espectáculo no seio da televisão.

Paralelismos a parte, podemos afirmar que a estratégia tem alcançado os seus objectivos primários a nível de audiência e de participação dos distintos actores políticos, pesa o facto de muitos revelarem a suas debilidades. Entretanto, tal evidência “pode ser um sol de pouca dura” em função da ascensão das perspectivas dos espectadores que têm neste meio a busca da oportunidade para conhecerem melhor os seus actores políticos, fazendo crer que os debates políticos televisivos representam uma ampla transacção do desenvolvimento da cultura política democrática no nosso país, porquanto sabemos que um debate é um drama humano no seu estado original que do ponto de vista estrutural pode ser considerado como uma estratégia para a informação de massas.

Segundo Walter Lippmann a televisão pode servir como a máquina da verdade. Este formato “debate televisivo” estimula de forma directa a discussão politica entre os cidadãos e pode ser um dos principais meios estratégicos da disputa política mediática no momento das campanhas eleitorais. Assim sendo, os debates não tem existência isolada, pois englobam um fluxo de informação e comentários mediáticos que ocupam inúmeros media em concorrência, como a própria TV, a Rádio, a Imprensa, os Suportes de Publicidade Politica, a Internet, entre outros meios.

Neste âmbito, acreditamos que a iniciativa é salutar mas o desafio para manter a audiência é ainda maior em função das elevadas expectativas dos telespectadores, uma vez que estes podem transportar os argumentos de razão abordados nestes eventos mediáticos de forma equiparada ao impacto da economia na vida social das comunidades. Assim sendo, os actores e intervenientes destes eventos têm sobre si, um desafio ainda maior, pautado na necessidade da permanente gestão da credibilidade do órgão televisivo.

Até lá, vamos ao debate. Os debates televisivos têm contribuído na democratização política do nosso país?

Eu respondo afirmativamente que SIM! Afinal os que participam nos debates e os que assistem são grupos diversos, individualidades, cidadãos de diversas heterogeneidades políticas, o que nos leva a concluir que em Angola existem e sempre existiram canais para os principais actores políticos poderem actuar de forma democrática e permanente, sugerindo desta forma que aqueles nas vestes de mercenários políticos abandonem imediatamente ás suas acções contra a pátria, e criem partidos políticos para concorrerem de forma democrática no alcance do poder, assim como fazem os outros actores políticos.