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sábado, 20 de novembro de 2010

INTELECTUALISMO E O CLIENTISMO VERDE E VERMELHO (ensaio)


Bento dos Santos


Tão jovem, tão rico, tão velho, logo tão astuto… podia ser diferente, se não fosse o desfecho de um acto solene. Tratava-se de um casamento. Todo mundo «« »» reunido, e, como é habito, a atenção dos distintos convidados centrava-se em dois únicos seres…óbvio, o noivo e a noiva. Também, podia ser diferente, se fosse um casamento insólito, quiçá, “como o de certa cidadã, que pelo mundo dos continentes decidiu casar-se sozinha”, já viram! Mas então, casamento não exige a presença de um casal… em certos casos, o outro parceiro finge assumir ser do sexo oposto…para onde vamos com o modernismo nos eventos… como disse alguém: “quanto mas se estuda mas se entende o desentendido”… epá, esta é outra história, para outro ensaio, quiçá…

Como grafava nas primeiras orações, podia ser um casamento como tantos outros, aqueles em que a noiva exibe um cinismo aparente no olhar, descrevendo o seu receio no que lhe espera nesta nova fase, começando pelo mais logo; onde a noiva olha de esguelha para o noivo, como se este fosse o filho que ela acaba de brotar no mundo, dando uma de que “tenho o homem direito…só a calma dele”! E o noivo então, sorrisos a meio lábios, vinco na testa a ti-respón, mas na mente… passa um copo e mais outro, e quiçá, não podia já começar nas convidadas… mas, epá, põe juízo, afinal não estamos em campanha na vila…

Pois, podia ser diferente, se aquele noivo não fosse um homem com muitas culpas, e os factos o fizeram assumidamente responsável da desgraça de muita gente.

A noiva ainda lembrou-se o quanto seu pai sofrerá, tentando levar avante seus ideais empreendedores, por meio de actividades comerciais, lá na comuna. Os ditos lutadores da democracia queimavam os seus bens (alimentos, bebidas, etc., etc., até o próprio carro que transportava não era poupado…), queimavam a esperança de vida, que já fora repleta de sofrimento. Podia ser diferente, se o noivo não fosse o tal, filho do tal, que neste muito que supostamente fez de conta que fez, não estivesse entre os milhares de mortos, que partem, e nunca dão recado de como é lá, no paraíso ou inferno…

Podia e mais podia… se não se assumissem como os outros, ditos intelectuais, agora nas vestes de professores «« »», começa haver diferença de professor e professor, passa o pleonasmo, se eu for professor do 1º ou 2º ciclo, as pessoas dizem “ele dá aulas” e eu for professor que lecciono em uma universidade, as pessoas dizem “ele é professor universitário”, epá! Como grafava, são os ditos professores universitários, que fingem desnudar-se das cores e subsidiar-se da razão científica, não vai ver que a sala de aula ainda se transforma num confessionário…só que a razão científica não é simétrica ao clientelismo a que estais mergulhados.

Os autores Bobbio, Lévy e Demo, citados na Bibliografia, concordam com um aspecto em comum: o intelectual é definido pelo meio social no qual vive e/ou no qual estabelece sua trajectória social. Um dos principais espaços de actuação do intelectual é a Universidade. A ciência seria parte da ideologia do intelectual, assim como a dedicação à prática científica e o desejo do exercício de um cargo no ensino superior enquanto modo de distinção social. Devido à acção reflexiva, o intelectual é portador de uma autoridade científica quando se expressa.

O intelectual estabelece relações com a sociedade através de seu status de intelectual. Estas relações, inseridas num conjunto maior de relações de poder, colocam o intelectual em situação de comprometimento político: suas ideias não são desvinculadas da existência social e suas proposições seguem uma orientação determinada. O intelectual pode então, através de seu intelecto, contribuir para determinado regime político ou determinada concepção de mundo.
Já o clientelismo é um subsistema de relação política, com uma pessoa recebendo de outra a protecção em troca do apoio político. O que caracteriza o clientelismo é o sistema de troca. Como nota característica o cliente fica em total submissão ao patrão, independentemente de com este possuir qualquer relação familiar, empregatícia ou qualquer outra.
No desenvolvimento social o clientelismo é uma ferramenta muitas vezes utilizada para enfraquecer o capital social e humano de uma determinada localidade, ou de uma nação por inteiro. Ao se privilegiar a obtenção de benefícios oriundos de entes externos a uma localidade, ocorre o enfraquecimento das relações horizontais, homem a homem; cidadão a cidadão, diminuindo a capacidade de colaboração destes indivíduos e ampliando a competição por mais recursos exógenos, e que não geram riquezas locais. Este processo gera um círculo vicioso que ao longo do tempo é capaz de desmobilizar completamente uma comunidade.
Por isso, e segundo Augusto de Franco, o clientelismo busca manter a verticalização da esfera pública e "modos de regulação autocráticos", dificultando a democratização da sociedade. Franco acrescenta ainda que desta maneira os programas de combate a pobreza é desenhada, não faz com que se diminua a pobreza, pois alimenta "continuamente a cadeia vertical de subordinações e favores pela qual se exerce o clientelismo".
Ai surge o paradoxo dos abutres do intelectualismo, que fazem uma mistura na conceituação, criando confusão na interpretação social, classificando-os de intelectuais. Nesta jogada de inteligência, os aparentemente mais sábios, criam cenários propícios para alcançar os seus objectivos, vendendo a imagem de “meros rectos”, entenda-se como parónimo ao adágio “lobos na pele de cordeiros”.
O conflito ideológico introspectivo da questão, quanto mais se ganha…ser intelectual, ou um mero servidor do clientelismo? …tem procurado suporte em várias acepções, como exemplo, a finalidade da existência humana.
Hoje, assistimos o casamento entre o intelectualismo e o clientelismo. E não é que estão a fazer filhos bonitos e aparentemente saudáveis?!
Só que, tem todos um defeito; têm todos o mesmo nome…chamam-se “sistema”! E estes têm também nas suas vestes as cores, verde e vermelha.
Epá! Não escrevi politica, pois não!

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