Terça-feira, 6 de Setembro de 2011

JOGADAS INCRÉDULAS PÕE EM RISCO A PERMANÊNCIA DO PODER




Por: Bento José dos Santos

“Se nós tivermos a capacidade de olhar introspectivamente para os nossos erros, deles podemos tirar ilações para corrigi-los…caso não, estamos condenados ao fracasso, uma vez que seremos vítimas de nós mesmos!”


Não sou profeta! Também não sou vidente, nem adivinha ou especialista em medicina espíritas…muito menos activista político. Até hoje, sou um cidadão comum, fruto da experiência própria do meu modus-operandi de viver.

Sou cidadão comum! Comum mesmo! Sim, comum como os meus colegas designados povo! Aqueles que não são tidos nem achados, nestas coisas de governantes a governarem (…).

Vivo 24/24 horas sem energia eléctrica, sem água potável a jorrar nas torneiras, alias sem torneira nem pão lá em casa… vivo sem acesso ao transporte público. Sou uma prova viva e inequívoca que existe a estratificação social. Observando-me, poderás ver a distinção entre o pobre e o rico, entre o pobre e o desgraçado, entre os sem rumo nem abrigos e os da reserva da esperança (…). Sou resultante da fórmula dos políticos, que me vi votar.

Apesar disto, sou tão humano quanto eles, também sonho. Os meus sonhos são dimensionados e paralelos a minha pobreza. Sonho com: água, luz, pão e quiçá, porque não… sonho também com uma casa no Kilamba, como ouvi dizer…”agora já temos duas cidades capitais: Luanda e Kilamba. Disseram ainda, que o nome da nova cidade foi alterado, de cidade do Kilamba para cidade do Kimbanda. O povo propaga que a justificação da alteração do nome, deve-se ao facto de só será possível viver nesta cidade quem ter um grande Kimbanda (…).

Também ouvi dizer, que lá, naquela cidade do “Kimbanda”, só vai lá viver quem tem diploma de andar de elevador; só vai lá viver quem não tem de vender pincho, ou franguité, ou bucha, ou ainda…sei lá!

Disseram que lá na cidade do “Kimbanda” tudo é novo: areia nova, pedras novas, ar novo, tudo novo mesmo… como no país da “Alice, no país das Maravilhas”, ou ainda um pouco melhor, porque lá não tem o risco do “Lobo-mau”… e para provar que é mesmo especial a cidade do Kimbanda, fizeram um feitiço e apareceu um presidente, um jovem que não veio alimentado pelos negócios da nossa mãe quitandeira, e por isso, disseram que tão logo ele chegou, esfregou as mães «» e disse que, só vai lá viver quem sabe inglês e quem já demonstra interesse em apreender chinês, por causa dos botões que a cidade congrega: botão para evacuar os dejectos da sanita, botão para abrir a porta, botão para abafar a fofoca das vizinhas (…) disseram que cada casa tem cento e vinte cinco mil (125.000,00) botões, existem algumas que chegam a ter duzentos e tal mil (200...000,…) botões, que só mesmo quem tem um bom Kimbanda, poderá magicar e fazer aparecer tantas notas verdinhas como botões verdes que lá se pedem!

Não se chateiam por eu só saber das coisas através da boca do ouvi dizer; isto deve-se ao facto de eu não ter rádio…também sem luz, rádio seria para ligar aonde?! Ah…pensas que eu poderia usar pilha, aié…pensa só mesmo! Já agora, pensa também, onde eu arranjaria dinheiro para comprar pilhas?! Pois; você pensa muito...


Como dizia, apesar de não ter nada, sei de uma coisa bem certa e bem evidentemente clara…”na política, onde o que hoje é, e amanhã não sei, os gigantes nunca se defrontam directamente, afinal eles são compadres; não viram a antiga URSS e os EUA, no período da vigência da guerra fria?! Foi preciso os EUA atiçar os incrédulos internos da própria URSS, e sem se notar o gigante URSS escorregou e apanhou um tombo”.

Por cá, assim mesmo, como quem não quer, estes malabaristas governantes que dizem defender o partido em tudo, e um pouco mais, estão a derrubar incredulamente o gigante, com o jogo da inteligência de não nos darem, nem luz, nem água, nem pão…ou melhor não nos dão um Kimbanda, para nos ajudar a resolver a maka da sobrevivência.

Assim, como quem não quer, querendo, com estas jogadas incrédulas, vão pondo em risco a permanência de quem esta no poder (…). Só espero que este, seja vivo, tenha um Kimbanda grande que esfrega as mães «» e põe fim nestas jogadas incrédulas… tolerância zero, pode ainda ser uma solução para inverter o risco do xeque-mate nos próximos dois mil e doze botões que os Kimbandas incrédulos esperam jogar.

* Especialista em Comunicação Organizacional
bento-santos@hotmail.com

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