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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

OS DEBATES TELEVISIVOS TÊM CONTRIBUIDO NA DEMOCRATIZAÇÃO DA POLITICA NACIONAL?


Bento dos Santos

 

Os desafios da gestão política nacional tem aumentado o seu nível de complexidade em todos sectores do ambiente social angolano. Muitos entre os diferentes actores políticos nas vestes de partidos políticos, assim como os actores individuais integram na actualidade os interesses estratégicos externos de alguns estados do mundo ocidental, baseado numa influência de uma política pós-neocolonialista.

Apesar de que na actualidade assiste-se uma ascensão nas distintas formas de comunicação virtual, neste particular entende-se o crescimento exponencial das formas de comunicação interactiva baseadas nas novas tecnologias de comunicação e informação que promovem às transformações das modalidades com que se estabelecem às relações entre os diversos actores, a televisão, enquanto meio tradicional, ainda constitui um dos principais meios de informação de dimensões e inovações que funcionam como estratégia da amplificação da comunicação politica.

Por conseguinte, algumas vozes tentam de forma empírica defender que a televisão tem tido um efeito mínimo na formatação e formação da opinião pública, porquanto augura a vigência de um mal-estar mediático, argumentos que se incidem na preferência pela televisão em contraste com os jornais que actuam também como fonte de informação politica, o que tem causado o maior afastamento dos cidadãos em relação aos factos políticos difundidos pela televisão.

No entanto, tais argumentos caiem no descredito a quando da actualização da grelha dos programas emitidos pelos diversos canais televisivos, onde na actualidade existe no meio mediático nacional a TPA1, TPA2, TV ZIMBO, ZAP TV. No caso específico dos debates televisivos a título de reconhecimento de inovação criativa na grelha de programas, o mérito recai a TV ZIMBO que a tempo oportuno ascendeu a visibilidade da chama dos debates políticos televisivos, não pela sua originalidade na concepção, mas pela sua acutilância temática, o que certamente originou com que o debate político em televisão constitui-se um espaço privilegiado no plano da apresentação da discussão dos temas de interesse para a opinião pública.

A pergunta: será que os órgãos de comunicação que promovem o debate político estão a alcançar os seus objectivos perante a sociedade?

Á prior convém elucidar que os debates televisivos certamente objectivam aproximar os cidadãos, isto a nível de “audiências” que consequentemente afectaram no aumento da rentabilidade para um determinado órgão, assim como ajudam a clarificar às omissões e dúvidas entre os governados e os governantes, sempre sob uma plataforma de discussão democrática.

Porém, não podemos esquecer o factor espectáculo no seio da televisão, aqui contextualizado subjectivamente como a constituição dos espaços da realização dos debates políticos no seio da televisão. Tal facto associado ao cenário, o grafismo, e não menos importante o papel do jornalista enquanto moderador do painel constituem os componentes do cenário do espectáculo no seio da televisão.

Paralelismos a parte, podemos afirmar que a estratégia tem alcançado os seus objectivos primários a nível de audiência e de participação dos distintos actores políticos, pesa o facto de muitos revelarem a suas debilidades. Entretanto, tal evidência “pode ser um sol de pouca dura” em função da ascensão das perspectivas dos espectadores que têm neste meio a busca da oportunidade para conhecerem melhor os seus actores políticos, fazendo crer que os debates políticos televisivos representam uma ampla transacção do desenvolvimento da cultura política democrática no nosso país, porquanto sabemos que um debate é um drama humano no seu estado original que do ponto de vista estrutural pode ser considerado como uma estratégia para a informação de massas.

Segundo Walter Lippmann a televisão pode servir como a máquina da verdade. Este formato “debate televisivo” estimula de forma directa a discussão politica entre os cidadãos e pode ser um dos principais meios estratégicos da disputa política mediática no momento das campanhas eleitorais. Assim sendo, os debates não tem existência isolada, pois englobam um fluxo de informação e comentários mediáticos que ocupam inúmeros media em concorrência, como a própria TV, a Rádio, a Imprensa, os Suportes de Publicidade Politica, a Internet, entre outros meios.

Neste âmbito, acreditamos que a iniciativa é salutar mas o desafio para manter a audiência é ainda maior em função das elevadas expectativas dos telespectadores, uma vez que estes podem transportar os argumentos de razão abordados nestes eventos mediáticos de forma equiparada ao impacto da economia na vida social das comunidades. Assim sendo, os actores e intervenientes destes eventos têm sobre si, um desafio ainda maior, pautado na necessidade da permanente gestão da credibilidade do órgão televisivo.

Até lá, vamos ao debate. Os debates televisivos têm contribuído na democratização política do nosso país?

Eu respondo afirmativamente que SIM! Afinal os que participam nos debates e os que assistem são grupos diversos, individualidades, cidadãos de diversas heterogeneidades políticas, o que nos leva a concluir que em Angola existem e sempre existiram canais para os principais actores políticos poderem actuar de forma democrática e permanente, sugerindo desta forma que aqueles nas vestes de mercenários políticos abandonem imediatamente ás suas acções contra a pátria, e criem partidos políticos para concorrerem de forma democrática no alcance do poder, assim como fazem os outros actores políticos.

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