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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

COM O NOVO PRESIDENTE COMEÇAMOS ASSIM

Por: Bento dos Santos
O dia 26 de Setembro de 2017, passou a constar nos registros da história política angolana. O facto que tutelou este dia como histórico, foi a formalização da alternância da liderança política.

A saída do então Presidente, Engenheiro, José Eduardo dos Santos deu lugar a uma nova liderança, saída das eleições realizadas a 23 de Agosto do mesmo ano, da qual o povo elegeu por maioria qualificada o candidato do partido MPLA, no caso, o agora investido e  Presidente, General João Manuel Gonçalves Lourenço.

O acto de investidura decorreu dentro das expectativas. Porém, entre os muitos factos que dai foram notórios, à que destacar a nova assunção do presidente cessante, a quem o povo angolano agradece pela dedicação e empenho ao longo dos anos, e que deixou de forma indelével feitos incontornáveis como é o caso da conquista da paz.

Com a realização do referido acto, outras situações se vislumbram; por exemplo, as expectativas em torno dos futuros dirigentes que vão formar o novo governo, que é um bom indicativo para sabermos, como o novo presidente poderá realizar na prática a "diferença do querer e fazer".

As vírgulas altas nas últimas palavras "diferença do querer e fazer" foram propositadas. Tal deve-se as perspectivas motivadas pelo povo, a quando do primeiro discurso do novo Presidente da República de Angola, o General João Lourenço. Na sua primeira intervenção como Presidente de todos angolanos, o Senhor Presidente reagiu quase como se estivesse sicronizado, com os apelos feitos pelo Juiz Conselheiro do Tribunal Constitucional, Dr. Rui Ferreira, sobre quem recaiu mais uma vez a missão de formalizar as leis constitucionais de investir o poder ao novo Presidente, tal como já havia ocorrido na investidura do mandato presidencial de 2012.

A alegria ou o manifesto da satisfação foi notória por parte de muitos cidadãos, e a ênfase em particular vai para os dirigentes cessantes, e quadros do MPLA, entre os quais, muitos agora alegam que com o novo Presidente, se espera que tudo vai mudar, e dão ênfase que vai mudar para “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”... entretanto, este é também um problema!

Por conseguinte, muitos formadores de opinião também foram no mesmo diapasão. Porém tal alegação de previsão, contradiz as realidades políticas, pois querer não é fazer. Atente que nos parágrafos anteriores nos referimos a importância da análise da composição do novo governo. E porquê?

Porque com a composição do novo governo, iremos poder avaliar o perfil dos seus componentes e consequentemente poderemos ter uma ideia mais objectiva dos critérios que estiveram na base das acções do Senhor Presidente, e por conseguinte, poderemos melhor perspectivar que tipo de governação teremos.

E quanto a euforia do povo...
E quanto as perspectivas do povo?

Sobre estas questões temos de ter em atenção o seguinte: "existe um pensamento que tem sido confundido quando se diz que o povo faz política. O povo não faz política; o que geralmente acontece é que o povo é levado pelos políticos na política".

Esclarecendo, o povo é influenciado pelas acções políticas e as suas perspectivas dificilmente são atendidas pelos políticos, pois muitas delas são complexas em função da extensa dimensão do seu universo sempre condicionadas a factores de vária ordem…

Os discursos políticos são manifestações de intenções, e o povo geralmente os interpreta como compromissos de acções. Até ai pode-se entender; mas a verdade é que uma intenção não é uma acção.
Uma outra questão prende-se no binômio causas e consequências.

Atenção!

Não estamos aqui a analisar ou a desconstruir o discurso do Senhor Presidente. Apenas estamos a procurar contribuir, fazendo o nosso papel cidadão, de ajudar a quem quiser entender, o momento político que vivenciamos.

Dizíamos que durante o longo e cansativo discurso do Senhor Presidente, “que parece que ninguém até agora notou que os discursos do Senhor Presidente, são longos e chegam a ser cansativos” podemos perceber que o referido discurso fez inúmeras referências sob a forma das perspectivas que se tem, em resolver-se os problemas da corrupção, fome, pobreza assim como a emergente necessidade da valorização dos recursos humanos etc, etc.

Foram muitas as áreas mencionadas, das quais se levantaram várias perspectivas, e todas as perspectivas apontadas como possíveis de soluções positivas. Até ai tudo bem.

Aliás, não devemos ser cépticos, mas atenção, para resolvermos os problemas temos de ser realistas e concretos, e quando somos realistas e concretos geralmente atacamos as causas e não as consequências; o que chega a ser melhor.

Contudo, quando se busca resolver as consequências dos problemas sociais, acentua-se o risco de se implementar soluções efêmeras.

E no nosso caso, atacar as causas implica olhar para o único ser capaz de identificar, caracterizar, classificar e resolver os problemas; no caso deve-se olhar para o homem.

Somos nós, os únicos seres capazes de ajudar a tornar possíveis as perspectivas e aspirações suscitadas pelo Sr. Presidente, General João Lourenço transformando-as assim em acções.

Temos de parar imediatamente fazer uso da estratégia do culto da personalidade na busca da recompensa dos prêmios do favoritismo, pois esta cultura política, é a porta de entrada dos outros males sociais que nós já vivenciamos.

Fala-se das avaliações, baseando-se nos critérios da competências. Sinceramente...

Que critérios serão estes, se muitos detentores dos cargos políticos e executivos e tantos outros utentes de títulos académicos não têm feitos práticos que os tornariam credíveis para as responsabilidades que almejam?!

Temos um novo Presidente, e muitos são os que agora acomodam-se a espera que o Sr. Presidente pegue na varinha mágica e acabe com a fome, com a pobreza e que todos nós angolanos passemos a viver na utópica riqueza que temos.

A referida metáfora nos lembra da euforia a quando da eleição do primeiro presidente negro nos Estados Unidos. Na ocasião muitos africanos festejaram e outros tantos pensaram que agora sim, seriamos todos americanos, e o presidente americano iria privilegiar a resolução de todos problemas africanos; não é preciso escrever sobre a dimensão da decepção que tiveram...

Conseguir o que se quer, significa tomar decisões que se tem de tomar de forma a obter-se o que se quer; é preciso termos os pés no chão e pararmos de sonhar quando devemos estar acordados.

Precisamos que a nossa política seja mais realista e concreta, por exemplo, não faz sentido manter-se a proibição da exportação de peças de viaturas, não faz sentido não podermos importar carros com mais de cinco anos, estas proibições têm impacto negativo na economia e tem consequências directa na vida das populações. E podemos citar algumas; com a falta de peças aumentam os roubos de viaturas para serem desmontadas e vendidas a retalho; com a falta de importação de viaturas temos maior dificuldade na mobilidade da população e reduz-se os postos de trabalho que este segmento de negócios geralmente proporciona. E não nos venham falar da fábrica de montagem das viaturas chinesas, porque todos nós sabemos a dimensão da necessidade de corrigir o que está mal neste particular, pois nem os chineses gostam e aceitam usar tais carros.

Certamente tal lei foi aprovada para salvaguardar interesses de grupos, mas acabou por prejudicar a maioria. E brevemente ainda teremos problemas semelhantes com a tal história das chapas de matrículas electrónicas.

São situações como as que aqui exemplificamos que podem dar uma visão de uma governação para o povo.

Por enquanto ficamos por aqui, na perspectiva de contribuir, participando na melhoria do que está bom e corrigindo o que esta mal.

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