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terça-feira, 3 de outubro de 2017

AGORA ESTAMOS ASSIM…SÓ SE OLHAMOS NOS OLHOS

Por: Bento dos Santos

Nos últimos tempos tem sido assim. Depois de alguns entre muitos terem feito uso dos seus direitos e deveres, exercendo assim a cidadania votando, começa-se a se sentir o retorno sobre as primeiras acções formais do recém eleito e investido, o Sr. Presidente da República, João Lourenço.

As reacções que parecem ser as mais notórias, são as partilhadas nas redes sociais, isto para quem é cidadão virtual; isto para quem interage e faz uso destes meios tecnológicos. As razões de tal presunção, aliam-se ao facto das redes sociais facilitarem o utópico espaço da real liberdade para qualquer manifesto de opinião.

Assim sendo, as redes sociais são encontradas como um recurso para se fazerem ouvir, e temos que ter em atenção que quanto menos espaços houverem para as pessoas se fazerem ouvir, maior será a busca pelos espaços alternativos, no caso, maior será o uso das redes sociais.

As referidas alusões podem ser sustentadas pelo facto de muitas mensagens partilhadas nas redes sociais terem sido partilhadas sem constar a identidade do emissor; muitas informações tem vindo a circular nas redes sociais, como manifesto público das reacções as primeiras acções do actual governo.

E assim tem sido; os olhos dos outros tem visto e analisado as acções, e tudo porque também tem o direito de emitir as suas opiniões; assim tem sido porque dos seus olhos vêm os nossos olhos. E pelo que parece a maior parte das opiniões circulantes, vêm carregadas de um certo péssimismo; podemos também dizer que muitas das informações circulantes estão carregadas de cepticismo!

Na realidade, talvez não podia ser diferente, isto porque as mudanças, geralmente requerem espaço e tempo, para as adaptações, e agravam estes requisitos quando são avaliadas por pessoas que já transportam experiências menos boas nas suas memórias, que acaba por os tornar mais cautelosos, jogando no seguro, e muitas vezes fazendo recurso ao adágio  popular: - “É preciso ver para crer”!

E assim tem sido. Foram nomeados os membros do governo, que ainda não sabemos se voltará a designação de “executivo” ou se nos manteremos no uso da tradicional designação de “governo” a verdade é que dos olhos dos outros, para os nossos olhos, muitos dos nomeados depois da tomada de posse, começaram as suas actividades já enfrentando as câmaras dos nossos meios de comunicação social, e entre o reforço e a renovação das “promessas” uns tantos já deixaram escapar que ainda estão muito longe do que se lhes espera; resumindo, não disseram nada de novo  em relação as grandes expectativas suscitadas.

E como agora está em voga 《nós dos muitos》podermos gingar a fezada que nos deram, para também podermos falar mesmo, assim mesmo sem papás na língua, por formas a participarmos na busca do “melhorar o que está bem e na ânsia de corrigir o que está mal” e aproveitando a raiva de muitos que não foram nomeados, e tantos outros que nos encontraram aqui na bancada, onde só olhamos, agora estamos todos assim; cada um a olhar nos olhos do outro!

E como mágica, agora cada um tem muito a dizer, já uns tantos, ainda agora já têm saudades do protocolo do então, Camarada Presidente; outros tantos, ensaiam ainda os seus olhos, para verem bem como vão dizer, o que vão dizer, onde vão dizer, porquê vão dizer, isto para virem a ser aceites; pois como se diz, “a esperança é a última a morrer” e na realidade, ainda faltam cargos para serem ocupados, e a ideia dos olhos dos outros é verem tudo mexido, tudo trocado, afinal para muitos tudo estava mal…hoje já... só porque lhes exoneraram, agora também já são nossos colegas e dizem serem nossos amigos, assim mesmo de se olhar nos olhos!

Mas nós estamos aqui; assim mesmo como antes; recebendo todos. A nossa filosofia é como a dos campos santos. Todos podem vir, o buraco é igual, com urna, sem urna, tendo sido rico, pobre, Doutor ou analfabeto, aqui todos são importantes; aqui todos são iguais; aqui todos nos olhamos nos olhos!

E nós continuamos aqui; na bancada; só a olhar com os nossos olhos; até o meu camba Finesto que se contentava com tudo, já se fartou e perguntou: - “Epá! Mas quando é que estes camaradas vão parar de fazer promessas e passarem a fazer?”

Eu e os outros novos inquilinos daqui da bancada, não lhe dissemos nada. Aliás… acho que lhe respondemos sim; porque só lhe olhamos nos olhos, e ele ficou assustado e nos disse: - Xé! Só os vossos olhos, nos olhos dos outros!

E mais nada pá!

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